- O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou tarifas antidumping de até 102,72% sobre grafite importado da China, em resposta a queixas de venda abaixo do valor de mercado.
- As tarifas podem elevar o imposto total sobre o produto a 160% e impactar cerca de US$ 340 milhões.
- Em 2024, os EUA importaram 180 mil toneladas de grafite, com dois terços provenientes da China.
- A Tesla, maior consumidora de grafite chinês, adquiriu 80 mil toneladas em 2024, e alertou sobre a escassez de fornecedores nacionais.
- A dependência do grafite chinês levanta preocupações sobre a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos, especialmente com a previsão de aumento da demanda global até 2040.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou, no dia 17 de outubro, tarifas antidumping preliminares que variam de 93,5% a 102,72% sobre o grafite importado da China. Essa medida, que pode elevar o imposto total sobre o produto a 160%, visa responder a uma queixa da Associação dos Produtores Americanos de Materiais de Ânodo (AAAMP), que acusou empresas chinesas de vender grafite abaixo do valor de mercado, com apoio de subsídios estatais. A decisão final deve ser divulgada até 5 de dezembro.
O grafite é um componente crucial para a fabricação de baterias de íons de lítio, especialmente em veículos elétricos. Em 2024, os EUA importaram 180 mil toneladas de grafite, sendo que dois terços desse total vieram da China. A Bloomberg estima que as novas tarifas impactem cerca de US$ 340 milhões em produtos. Fabricantes como a Tesla alertaram sobre a escassez de fornecedores nacionais que atendam aos padrões de pureza e qualidade exigidos.
Impacto nas Montadoras
A Tesla, que é a maior consumidora de grafite chinês nos EUA, adquiriu aproximadamente 80 mil toneladas do material em 2024, representando 67% das importações da China. A empresa informou que a falta de grafite de qualidade pode aumentar o custo por kWh em até US$ 7, pressionando suas margens de lucro. Além disso, a Panasonic, que fornece para a Tesla, expressou preocupação, afirmando que a produção doméstica cobre apenas 10% da demanda.
A nova política comercial se insere em um contexto mais amplo de desafios enfrentados pela Tesla, que inclui a retirada de subsídios federais e a suspensão de programas de financiamento para infraestrutura de carregadores elétricos. No segundo trimestre de 2025, as vendas de veículos elétricos nos EUA caíram 6,3% em relação ao mesmo período de 2024, com a participação da Tesla no mercado diminuindo de 75% para 62%.
Desafios na Cadeia de Suprimentos
A dependência dos EUA em relação ao grafite chinês levanta preocupações sobre a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a demanda global por grafite quadruplicará até 2040, atingindo 16 milhões de toneladas. Projetos de mineração fora da China enfrentam entraves regulatórios, e países como Canadá e Brasil possuem reservas, mas não dominam o refino em larga escala.
A situação atual representa um dos maiores desafios enfrentados pela Tesla desde sua fundação, com impactos significativos nas operações e na competitividade da empresa no mercado de veículos elétricos.
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