- O preço do pó de café começou a cair em julho, após um período de alta que pressionou a inflação de alimentos.
- A nova safra de café, considerada a maior de baixa bienalidade da história, contribuiu para essa queda.
- A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a safra de café de 2025 será de 55,7 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento de 2,7% em relação a 2024.
- O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), destacou que o aumento da oferta durante a colheita é um fator que ajuda a reduzir os preços.
- A tributação de 50% imposta por Donald Trump ainda não apresentou impacto claro nos preços do café, segundo economistas.
O preço do pó de café, que vinha pressionando a inflação de alimentos, começou a apresentar queda nas prateleiras em julho. Esse recuo é atribuído à nova safra, que promete ser a maior de baixa bienalidade da história, apesar da tributação de 50% imposta por Donald Trump.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra de café de 2025 será de 55,7 milhões de sacas de 60 quilos, um aumento de 2,7% em relação à de 2024, que sofreu com condições climáticas adversas, especialmente em Minas Gerais. A bienalidade do café, que alterna entre safras altas e baixas, resultou em uma safra baixa neste ano, mas ainda assim, a Conab destaca que será a maior já registrada nesse ciclo.
O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), explica que o aumento da oferta durante a colheita é um dos fatores que contribui para a queda dos preços. Em junho, o preço do café no atacado já havia caído 11,01%, e em julho, o recuo foi de 22,52%. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a prévia da inflação oficial do Brasil, o café teve uma redução de 0,36%, embora acumule alta de 76,50% nos últimos 12 meses.
Impacto do Tarifaço
A tributação de Trump, anunciada em 9 de julho, ainda não apresentou efeitos claros nos preços. Economistas como Marcela Kawauti, da Lifetime Gestora de Recursos, e Felipe Sales, do C6 Bank, observam que não é possível identificar o impacto do tarifaço nos preços, uma vez que as quedas já eram tendências anteriores. André Braz, da FGV/Ibre, complementa que os recuos nos preços no atacado não foram associados à nova tarifa, indicando que as empresas não reportaram mudanças significativas.
No varejo, a expectativa é que frutas destinadas ao mercado americano, como uvas e mangas, possam ser oferecidas em maior volume no mercado interno, levando a uma possível queda de preços. Contudo, Thiago de Oliveira, da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), afirma que não houve impactos generalizados na oferta dessas frutas até o momento.
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