- A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, informou que a inadimplência no setor agro é a mais alta já registrada na história do banco.
- O lucro caiu em sessenta por cento, totalizando R$ 3,8 bilhões, e os pedidos de recuperação judicial aumentaram em quarenta e cinco por cento.
- O banco adotará uma abordagem mais seletiva na concessão de crédito e judicializará dívidas, exigindo alienação fiduciária como garantia.
- Atualmente, vinte mil clientes do agronegócio estão com contas em atraso há mais de noventa dias, representando dois por cento da base total de um milhão de clientes.
- O Banco do Brasil está colaborando com a Advocacia-Geral da União e o Conselho Nacional de Justiça para combater a advocacia predatória que contribui para a inadimplência.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, anunciou que a inadimplência no setor agro atingiu níveis históricos, sendo a mais alta já registrada na trajetória do banco. Durante uma apresentação de resultados, ela destacou que a situação é preocupante, com um aumento de 45% nos pedidos de recuperação judicial e uma queda de 60% no lucro, que agora é de R$ 3,8 bilhões.
Medeiros afirmou que o banco está mudando sua abordagem em relação à concessão de crédito, tornando-se mais seletivo e judicializando dívidas. “É importante que vocês tenham conhecimento da proporção dessa inadimplência”, disse a executiva, ressaltando que a provisão para perdas já está refletida no balanço. A nova estratégia inclui a exigência de alienação fiduciária como garantia, substituindo a hipoteca, o que já resultou em um aumento de 100% nas alienações em agosto.
Aumento da Inadimplência
Atualmente, 20 mil clientes do agronegócio estão com contas em atraso há mais de 90 dias, representando 2% da base total de um milhão de clientes. A maioria dos inadimplentes são grandes produtores, e 74% deles nunca haviam registrado problemas de pagamento anteriormente. A inadimplência é mais acentuada nas regiões Centro-Oeste e Sul, especialmente entre os produtores de soja, milho e pecuária.
Medeiros também mencionou que muitos pedidos de recuperação judicial são resultado de má orientação de consultorias. O banco está colaborando com a Advocacia-Geral da União e o Conselho Nacional de Justiça para combater a advocacia predatória que incentiva a inadimplência.
Perspectivas e Estratégias
O vice-presidente de controles internos e gestão de risco, Felipe Prince, informou que a análise das garantias será mais rigorosa a partir do terceiro trimestre de 2025. O guidance de crescimento da carteira de crédito para empresas é de 0% a 3%, mas o banco continuará a apoiar micro e pequenas empresas.
Medeiros enfatizou que a situação atual não é uma crise sistêmica, mas um desafio específico que o banco está preparado para enfrentar. O foco renovado em consultoria e apoio visa não apenas mitigar a inadimplência, mas também fortalecer a posição do Banco do Brasil no setor agropecuário.
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