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Terras-raras impulsionam soberania e protagonismo no cenário global

EUA pressionam Brasil por acesso a terras-raras, enquanto país busca transformar reservas em desenvolvimento tecnológico e industrial

Montadoras de carros elétricos já são afetadas por restrições chinesas a exportações de minerais de terras-raras (Foto: David Hecker/AFP)
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  • O Brasil possui grandes reservas de terras-raras, essenciais para tecnologias modernas.
  • Com a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, a pressão sobre o Brasil aumentou.
  • Os EUA endureceram sua política tarifária e buscam acesso preferencial às reservas brasileiras, exigindo contrapartidas tecnológicas.
  • A demanda global por elementos como neodímio e praseodímio pode triplicar até dois mil e quarenta.
  • O Brasil deve proteger seus ativos e transformar suas reservas em competência tecnológica e industrial para garantir desenvolvimento e soberania.

O Brasil se posiciona em uma disputa geopolítica crucial: o controle das reservas de terras-raras, elementos essenciais para tecnologias modernas. Com a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, a pressão sobre o Brasil aumentou. A nova administração americana endureceu sua política tarifária e busca acesso preferencial às reservas brasileiras, exigindo contrapartidas tecnológicas.

Esses 17 elementos químicos são fundamentais para a transição energética, utilizados em turbinas eólicas, carros elétricos e sistemas de defesa. A demanda global por ímãs permanentes, que incluem neodímio e praseodímio, pode triplicar até 2040. O Brasil, com uma das maiores reservas do mundo, pode se tornar um fornecedor estratégico, especialmente em um cenário onde a China domina mais de 85% da oferta global.

Pressões e Oportunidades

A pressão dos EUA ocorre em meio a ameaças de tarifas sobre o aço e o agronegócio brasileiro. O acesso a recursos estratégicos é oferecido em troca de alívio comercial. O Brasil deve evitar o erro de exportar recursos brutos sem agregar valor. Transformar essas reservas em competência tecnológica e industrial é essencial para garantir soberania e desenvolvimento.

Para isso, é necessário um plano de ação em três frentes. Primeiro, proteger os ativos estratégicos nacionais, impondo condições para o acesso às reservas, como a exigência de que parte do beneficiamento ocorra no Brasil. Segundo, negociar com pragmatismo, oferecendo contrapartidas tecnológicas e financiamento para instalações industriais. Por fim, construir uma política industrial de longo prazo, envolvendo o setor privado e instituições de pesquisa.

O Caminho a Seguir

O Brasil enfrenta uma encruzilhada histórica. Pode ceder às pressões imediatas ou usar suas reservas de terras-raras como um vetor para reindustrialização e desenvolvimento tecnológico. A decisão sobre como proceder será política, mas a responsabilidade recai sobre todos os setores da sociedade. A construção de um consórcio nacional de terras-raras, com apoio de instituições financeiras e marcos regulatórios estáveis, pode transformar esse potencial em uma nova fronteira industrial.

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