- O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, confirmou que as negociações comerciais com os Estados Unidos estão em andamento.
- A Índia se recusa a abrir seus setores agrícola e de laticínios, o que gerou tarifas adicionais de até 50% sobre produtos indianos, a serem aplicadas a partir de 27 de agosto.
- Jaishankar destacou a importância de proteger os interesses nacionais, especialmente dos agricultores e pequenos produtores.
- A visita de negociadores comerciais dos EUA a Nova Délhi, marcada para ocorrer entre 25 e 29 de agosto, foi cancelada.
- Analistas alertam que a manutenção das tarifas pode impactar o crescimento econômico da Índia em 0,8 ponto percentual nos próximos dois anos.
O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, anunciou que as negociações comerciais com os Estados Unidos estão em andamento, mas a Índia se recusa a abrir seus setores agrícola e de laticínios. Essa postura ocorre em um momento crítico, com tarifas adicionais de até 50% sobre produtos indianos prestes a entrar em vigor, a partir de 27 de agosto. As tarifas, que já incluem uma taxa de 25% que já foi aplicada, são uma resposta ao aumento das compras de petróleo russo pela Índia.
Jaishankar enfatizou a necessidade de proteger os interesses nacionais da Índia durante as negociações. Ele afirmou que existem limites que devem ser respeitados, especialmente em relação aos agricultores e pequenos produtores do país. A visita de negociadores comerciais dos EUA a Nova Délhi, programada para ocorrer entre 25 e 29 de agosto, foi cancelada, frustrando as expectativas de um possível adiamento ou redução das tarifas.
Impacto Econômico
Analistas da Capital Economics alertaram que, se as tarifas forem mantidas, o crescimento econômico da Índia poderá ser afetado em 0,8 ponto percentual neste e no próximo ano. Além disso, uma tarifa elevada pode prejudicar a imagem da Índia como um centro global de manufatura. Jaishankar também criticou a abordagem do governo dos EUA, destacando que a preocupação com as compras de petróleo russo não se aplica a outros grandes compradores, como a China e a União Europeia.
O comércio bilateral entre a Índia e os EUA, que já ultrapassa US$ 190 bilhões, enfrenta um cenário desafiador. O primeiro-ministro Narendra Modi tem se mostrado firme em proteger os interesses do setor agrícola, mesmo diante das pressões externas. As refinarias indianas estão considerando reduzir as compras de petróleo russo, mas não pretendem romper laços com Moscou.
Relações Bilaterais
A situação permanece tensa, com os EUA buscando pressionar a Índia a alterar sua postura em relação ao petróleo russo. O governo Trump já havia criticado a Índia anteriormente, e as tarifas são vistas como uma forma de aumentar a pressão sobre o presidente Vladimir Putin para que participe de negociações de paz na Ucrânia. A expectativa é que as tarifas e a pressão sobre a Índia continuem a ser um tema central nas relações comerciais entre os dois países.
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