- A América Latina é vista como um potencial fornecedor na nova economia digital, segundo a BlackRock.
- A região possui recursos minerais essenciais, como cobre e alumínio, importantes para a infraestrutura tecnológica.
- O interesse por investimentos na América Latina cresce devido à dissociação comercial com a China e ao aumento do nearshoring.
- Tarifas comerciais favoráveis, como 0% de reciprocidade no México, melhoram a competitividade da região em comparação com Europa e Ásia.
- Desafios incluem altas taxas de juros na Colômbia e no México, que desestimulam o setor privado, e a necessidade de reformas fiscais na Argentina para reintegração aos mercados globais.
A América Latina está se destacando como um potencial fornecedor na nova economia digital, segundo a BlackRock. Em entrevista à Bloomberg Línea, o diretor de investimentos da empresa para a região, Benjamin Souza, afirmou que a região possui recursos minerais essenciais, como cobre e alumínio, que são fundamentais para a infraestrutura tecnológica atual.
A crescente dissociação comercial com a China e o aumento do nearshoring estão impulsionando o interesse por investimentos na América Latina. Souza destacou que o mundo busca novos fornecedores para reduzir a dependência da China, o que coloca a região em uma posição vantajosa. Ele observou que as tarifas comerciais favoráveis, com o México apresentando 0% de reciprocidade e outros países latino-americanos com 10%, melhoraram a competitividade da região em comparação com blocos como a Europa e a Ásia, que enfrentam tarifas de até 39%.
Além disso, a valorização dos mercados latino-americanos, como a Colômbia, que teve um aumento de 40% em termos de dólares, é atribuída a fluxos de capital e avaliações atrativas. Souza acredita que a expectativa em relação às políticas do novo governo dos EUA também contribui para esse cenário, atraindo investidores para mercados com ativos mais acessíveis.
Desafios Econômicos
Entretanto, altas taxas de juros na Colômbia e no México representam um desafio. Souza apontou que o custo elevado do dinheiro desestimula o setor privado a assumir riscos. Ele sugere que os bancos centrais considerem uma flexibilização das taxas para estimular a economia.
No caso da Argentina, Souza reconhece os esforços do governo de Javier Milei para implementar reformas fiscais e corrigir desequilíbrios históricos. Apesar do otimismo gerado, ele ressalta que a execução dessas reformas será crucial para reintegrar o país aos mercados globais, após anos de inadimplência e controles de capital. A disciplina fiscal demonstrada pela Argentina é vista como uma exceção positiva em um contexto global de desafios fiscais.
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