- O Brasil registrou uma queda nas novas instalações de energia eólica, passando de 4,8 gigawatts (GW) em 2023 para 3,3 GW em 2024.
- A previsão para 2025 é de apenas 2 GW, resultando em demissões e perdas de R$ 5 bilhões devido ao curtailment, que limita a geração de energia.
- A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, aponta a estagnação econômica e a dependência de hidrelétricas como causas da crise.
- Desde 2021, o Brasil cortou cerca de 30 terawatts-hora (TWh) de energia renovável, afetando o emprego no setor.
- A recuperação do setor é esperada apenas em 2027, com a execução de novos contratos e possíveis avanços em projetos de energia eólica offshore e hidrogênio verde.
Após um crescimento expressivo em 2023, com 4,8 GW de energia eólica instalados, o Brasil enfrenta uma crise sem precedentes no setor. Em 2024, as novas instalações caíram para 3,3 GW, e a previsão para 2025 é de apenas 2 GW. Essa desaceleração já resultou em demissões e perdas de R$ 5 bilhões devido ao curtailment, prática que limita a geração de energia para evitar sobrecargas no sistema.
A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, atribui a crise a fatores macroeconômicos, como a estagnação do PIB e a diminuição de contratos de longo prazo, além de questões operacionais. O curtailment, que cortou 11,9% da geração eólica no segundo trimestre de 2025, é um dos principais problemas enfrentados pelas empresas do setor. Companhias como CPFL e Copel estão entre as mais afetadas.
A dependência das hidrelétricas, que representam cerca de 60% da matriz energética brasileira, também contribuiu para a crise. O excesso de chuvas em 2022 reduziu os preços da energia, tornando os contratos de energia eólica menos atrativos. Isso levou à paralisação de projetos e ao esvaziamento das carteiras de pedidos, impactando diretamente o emprego no setor.
Impactos no Emprego e na Indústria
A crise já resultou em demissões significativas. A joint venture Torres Eólicas do Nordeste demitiu 500 funcionários em 2023, e a Aeris Energy desligou mais 700 trabalhadores em fevereiro de 2025. Gannoum ressalta que, ao contrário da energia solar, a retração na eólica afeta diretamente os empregos brasileiros.
Os efeitos do curtailment são alarmantes. Desde 2021, o Brasil cortou cerca de 30 TWh de energia renovável, equivalente ao consumo anual de Pernambuco. As empresas não recebem compensação financeira pelas perdas, que já somam R$ 5 bilhões. A recuperação do setor é esperada apenas em 2027, quando contratos com grandes consumidores, como data centers, começam a ser executados.
Perspectivas Futuras
Apesar do cenário desafiador, há esperança de recuperação. Projetos de lei em andamento, como a regulamentação da energia eólica offshore e a criação de um mercado regulado de carbono, podem impulsionar o setor. Além disso, o avanço do hidrogênio verde representa uma nova oportunidade de crescimento.
O Brasil possui potencial para se tornar um polo de investimentos em transição energética, especialmente com o interesse crescente de capitais chineses. Um exemplo é o acordo entre o governo do Piauí e a China General Nuclear Power Group, que destinará R$ 3 bilhões para projetos de energia solar e eólica.
A ABEEólica defende a eliminação de subsídios tarifários, argumentando que o setor eólico já atingiu maturidade e não depende mais de incentivos. A proposta de reforma do setor elétrico, que permitirá a abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão, também está em análise no Congresso e pode impactar o futuro da energia eólica no Brasil.
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