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Empresas brasileiras abrem vagas, mas buscam o candidato ideal em vão

Empresas enfrentam escassez de talentos, enquanto trabalhadores buscam crescimento e flexibilidade em meio a cenário de emprego aquecido

Pessoas caminham em rua no Brasil (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
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  • O Brasil gerou mais de 1,5 milhão de novos empregos formais nos últimos 12 meses, com a taxa de desemprego em 5,8%, o menor índice da série histórica.
  • Apesar do aumento de vagas, 60% das empresas enfrentam dificuldades para contratar, principalmente devido à falta de qualificação.
  • A pesquisa Lugares Mais Incríveis para Trabalhar (LIPT) 2026 revela que 29% dos trabalhadores priorizam o crescimento na carreira, enquanto 20% valorizam a identificação com a empresa.
  • Para atrair talentos, 44,6% das empresas investem em capacitação interna e 32,1% oferecem mais benefícios.
  • A rotatividade no mercado de trabalho é de 33%, o que exige que as empresas repensem suas estratégias de retenção.

Os dados mais recentes do Novo Caged revelam que o Brasil gerou mais de 1,5 milhão de novos empregos formais nos últimos 12 meses, refletindo um cenário de economia aquecida. A taxa de desemprego, medida pela Pnad Contínua, atingiu 5,8%, o menor índice da série histórica. Apesar do aumento das oportunidades, empresas enfrentam desafios significativos na contratação e retenção de talentos.

A pesquisa Lugares Mais Incríveis para Trabalhar (LIPT) 2026, realizada pela FIA Business School, indica que 29% dos trabalhadores priorizam o crescimento na carreira como principal fator de atração, superando a importância do salário. Outros fatores relevantes incluem a identificação com a empresa (20%) e a reputação da marca (17%). A pesquisa, que coletou mais de 195 mil respostas, mostra que a necessidade de trabalho e os salários aparecem em posições inferiores nas preferências dos trabalhadores.

Desafios na Contratação

Enquanto as vagas aumentam, 60% das empresas nos setores de indústria, serviços, varejo e construção relatam dificuldades em contratar. A falta de qualificação é um dos principais obstáculos, especialmente no comércio e na construção. O setor de serviços enfrenta desafios relacionados à capacidade de pagamento dos salários demandados. Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV-Ibre, destaca que a concorrência com a Gig Economy e programas de transferência de renda tem dificultado ainda mais a contratação.

As empresas estão se adaptando a esse novo cenário. 44,6% delas investem em capacitação interna, enquanto 32,1% oferecem mais benefícios. Além disso, a flexibilização das jornadas de trabalho e a adoção de processos seletivos mais ágeis, como o uso de Inteligência Artificial no WhatsApp, são estratégias emergentes para atrair candidatos.

O Novo Perfil do Trabalhador

A pesquisa LIPT 2026 reflete um mercado em transformação, onde os trabalhadores buscam mais do que apenas salários. Lina Nakata, professora da FIA, afirma que a pesquisa evidencia um cenário onde os profissionais podem escolher com base em preferências que vão além da remuneração. Embora os salários ainda sejam relevantes, a qualidade de vida e a flexibilidade são fatores que impactam diretamente na retenção de talentos.

Em um ambiente onde a rotatividade é de 33%, as empresas precisam repensar suas estratégias para manter os colaboradores engajados. A adaptação às novas demandas do mercado de trabalho é essencial para garantir a competitividade e a sustentabilidade das organizações.

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