- A Confederação Nacional da Indústria (CNI) participou de uma audiência pública em Washington no dia três de setembro, promovida pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR) dos Estados Unidos.
- O embaixador Roberto Azevêdo liderou a comitiva brasileira para discutir uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil que afetam a economia americana.
- A investigação, iniciada em julho, envolve o sistema de pagamento Pix, tarifas sobre etanol e questões comerciais em São Paulo.
- A CNI busca reverter tarifas de cinquenta por cento sobre produtos brasileiros, que impactam setores como cerâmica, carnes e calçados.
- A expectativa é que uma nova audiência entre autoridades do Brasil e dos Estados Unidos ocorra até o final de setembro para discutir as preocupações levantadas.
Uma missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) participou nesta quarta-feira, 3, de uma audiência pública em Washington, promovida pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR) dos Estados Unidos. O objetivo foi discutir a investigação aberta contra o Brasil por práticas comerciais que supostamente prejudicam a economia americana. O embaixador Roberto Azevêdo, ex-secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), liderou a comitiva.
A investigação, iniciada em julho, abrange áreas como o sistema de pagamento Pix, tarifas sobre etanol e questões relacionadas ao comércio na Rua 25 de Março, em São Paulo. A CNI já havia enviado um relatório ao USTR abordando os pontos questionados. A audiência, que durou cerca de oito horas, foi realizada a portas fechadas e incluiu a participação de 1.093 empresários de diversos setores.
Defesa do Brasil
Durante a audiência, Azevêdo defendeu que o Brasil não adota políticas que prejudicam intencionalmente os Estados Unidos. Ele destacou que as práticas brasileiras são compatíveis com acordos internacionais e que o país não discrimina empresas americanas. O embaixador também ressaltou que o Pix promove inclusão financeira e é comparável ao sistema FedNow dos EUA.
A CNI busca abrir um canal de diálogo para negociar a reversão das tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros, uma medida que afeta setores como cerâmica, carnes e calçados. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou a importância de um diálogo racional e técnico para resolver a situação.
Impactos e Expectativas
A diretora de relações internacionais da CNI alertou que a manutenção das tarifas pode desestabilizar as cadeias de suprimentos entre os dois países. Empresários brasileiros presentes na audiência esperam sensibilizar os americanos sobre os efeitos negativos das tarifas. O lobista Brian Ballard, contratado pela CNI, destacou que os empresários brasileiros não são adversários do povo americano e não merecem ser penalizados.
A expectativa é que, até o fim deste mês, ocorra uma nova audiência entre autoridades do Brasil e dos EUA para discutir as preocupações levantadas. O processo de investigação pode levar até um ano, mas a CNI continua a trabalhar para garantir que os interesses do setor privado sejam ouvidos e considerados nas negociações.
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