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Justiça determina nova patente para liraglutida, medicamento do Saxenda

Justiça Federal estende patente da liraglutida por mais de oito anos, reconhecendo ineficiência do INPI em análise de pedidos.

Saxenda, remédio semelhante ao Ozempic, é aprovado no Brasil para obesidade (Foto: Reprodução)
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  • A Justiça Federal de Brasília estendeu a patente da liraglutida, princípio ativo do medicamento Saxenda, por pelo menos 8 anos, 5 meses e 1 dia.
  • A decisão foi motivada pela longa análise do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que durou mais de 13 anos.
  • A Novo Nordisk, fabricante do medicamento, argumentou que a demora prejudicou sua capacidade de comercialização.
  • O juiz federal Bruno Anderson Santos da Silva afirmou que a prorrogação visa reparar danos causados pela ineficiência do INPI.
  • A decisão ainda cabe recurso, mas não afeta a venda de outros medicamentos à base de liraglutida já aprovados no Brasil.

A Justiça Federal de Brasília decidiu a favor da farmacêutica Novo Nordisk, estendendo a patente da liraglutida, princípio ativo do medicamento Saxenda, por pelo menos 8 anos, 5 meses e 1 dia. A decisão foi motivada pela longa análise do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que levou mais de 13 anos.

A patente da liraglutida havia expirado em março deste ano, mas a Novo Nordisk solicitou a extensão, alegando que a demora do INPI prejudicou sua capacidade de comercialização. O juiz federal Bruno Anderson Santos da Silva afirmou que a prorrogação é uma forma de reparar o dano causado pela ineficiência estatal. A decisão ainda cabe recurso, mas não afeta a venda de outros medicamentos à base de liraglutida já aprovados no Brasil, como Olire e Lirux, da EMS.

A Novo Nordisk comemorou a decisão, considerando-a um precedente relevante para a segurança jurídica e inovação no Brasil. A empresa também destacou que o mesmo princípio se aplica ao pedido de extensão da patente da semaglutida, ingrediente ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que também aguardam análise do INPI há mais de 13 anos. A diretora jurídica da Novo Nordisk no Brasil, Ana Miriam Dias, ressaltou que a decisão reconhece que a demora na análise de patentes não deve penalizar a inovação.

De acordo com a legislação brasileira, medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente por um período máximo de 20 anos. A Novo Nordisk argumenta que a longa espera para a análise de suas patentes resultou em um tempo de proteção inferior a metade do previsto. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional um parágrafo da lei que permitia a prorrogação automática das patentes devido à demora do INPI. A farmacêutica, no entanto, busca um ajuste pontual e não automático, conforme elogiado pelo STF em relação a práticas internacionais.

Além disso, a Justiça determinou que o INPI publique na Revista da Propriedade Industrial (RPI) a informação sobre a vigência da patente, sob pena de multa diária de mil reais.

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