- O governo brasileiro lançou a Medida Provisória “Gás para o Povo” em 4 de setembro de 2025.
- O programa visa subsidiar botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP) para 15 milhões de famílias de baixa renda.
- A expectativa é aumentar a demanda por GLP em aproximadamente 19%, com um adicional de 990,6 mil toneladas por ano.
- A Ultragás, controlada pela Ultrapar, deve ter impacto neutro em seus resultados, com uma redução de 2% no EBITDA.
- Para atender à nova demanda, serão necessários 12,7 milhões de novos botijões, com investimento estimado em R$ 650 milhões ao longo dos próximos anos.
O governo brasileiro lançou, na quinta-feira (4), a Medida Provisória “Gás para o Povo”, que visa subsidiar botijões de GLP para 15 milhões de famílias. O objetivo é beneficiar as famílias de baixa renda e reduzir o uso de lenha e carvão. A expectativa é que o programa aumente a demanda por GLP, especialmente entre as 12,7 milhões de famílias que atualmente utilizam combustíveis sólidos.
A demanda adicional deve somar 990,6 mil toneladas de GLP por ano, representando um aumento de aproximadamente 19% na demanda atual do país. Contudo, o Itaú BBA prevê que o impacto nos resultados da Ultragás, controlada pela Ultrapar (UGPA3), será neutro, com uma redução de 2% no EBITDA. O banco estima que os volumes adicionais do programa não gerarão lucro incremental para a companhia.
Para atender à nova demanda, os distribuidores precisarão de 12,7 milhões de novos botijões de 13 kg. Se a Ultragás capturar 20% dessa demanda, serão necessários cerca de 2,6 milhões de botijões, com um investimento estimado em R$ 650 milhões. Esses investimentos, no entanto, devem ser realizados de forma gradual ao longo dos próximos anos.
Expectativas do Mercado
O Bradesco BBI acredita que o programa incentivará a migração de famílias de baixa renda para o uso de gás, substituindo o carvão. A XP também vê o programa como positivo para as distribuidoras de GLP, embora mantenha cautela quanto ao impacto nos preços e margens de distribuição.
Outro ponto favorável é que a medida não inclui mudanças regulatórias que poderiam representar riscos para o setor. Assim, a XP considera que a discussão regulatória se limitará à audiência pública da ANP, o que pode reduzir a incerteza no mercado.
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