- Banco do Brasil adotou postura mais rígida na concessão de crédito a agricultores, principalmente aos que buscam proteção contra falência; vice-presidente de gestão de riscos, Felipe Prince, afirmou que “eles não terão crédito hoje, amanhã ou nunca mais”.
- Inadimplência no agronegócio da carteira do banco subiu para 3,5%, com cerca de R$ 5,4 bilhões em empréstimos em atraso devido a pedidos de falência de 808 agricultores.
- Politica de crédito passou a usar penhor fiduciário em vez de hipotecas, elevando custos e exigências de garantias; instituição também emprega inteligência artificial para mapear capacidade de pagamento e orientar desembolsos.
- Tempo para renegociações caiu de 30 dias para 5 dias após atraso, com acordos mais rápidos e restrições de prazos intensificadas.
- Contexto desafiante para o setor envolve desastres climáticos e juros altos; Fiagros ganham espaço entre credores, aumentando a concorrência; 75% dos inadimplentes estão pela primeira vez; BB deve divulgar resultados no dia 12 de novembro.
O Banco do Brasil anunciou uma postura mais rígida na concessão de crédito a agricultores, especialmente aqueles que buscam proteção contra falência. Felipe Prince, vice-presidente de gestão de riscos da instituição, afirmou que “eles não terão crédito hoje, amanhã ou nunca mais”. Essa declaração surge em meio a um aumento significativo da inadimplência no agronegócio brasileiro, onde cerca de R$ 5,4 bilhões em empréstimos estão em atraso devido a pedidos de falência de 808 agricultores.
A mudança na política de crédito do Banco do Brasil inclui a adoção de penhor fiduciário em vez de hipotecas, o que encarece o crédito e aumenta as exigências de garantias. Além disso, a instituição está utilizando inteligência artificial para analisar a capacidade de pagamento dos agricultores e orientar os desembolsos. O tempo de resposta para renegociações foi reduzido drasticamente, passando de 30 dias para apenas 5 dias após um atraso.
Impacto nas Negociações
Essas novas diretrizes refletem um contexto desafiador para o setor agrícola, que enfrenta dificuldades financeiras exacerbadas por desastres climáticos e alta nas taxas de juros. A inadimplência na carteira de agronegócios do Banco do Brasil subiu para 3,5%, um aumento de 2,2 pontos percentuais em um ano. O banco, que tradicionalmente era visto como um parceiro confiável pelos agricultores, agora se mostra mais cauteloso nas negociações de dívidas.
Prince destacou que a mudança de comportamento dos agricultores, com 75% dos inadimplentes fazendo isso pela primeira vez, está forçando o banco a se adaptar à nova realidade. Com a concorrência de novos credores, como os Fiagros, que exigem pagamentos mais rápidos, muitos agricultores estão priorizando esses compromissos, o que agrava ainda mais a situação financeira.
As mudanças nas políticas de crédito do Banco do Brasil visam mitigar os riscos e garantir a sustentabilidade financeira da instituição, que deve divulgar seus resultados no próximo dia 12 de novembro. O cenário atual sugere que os desafios para o agronegócio brasileiro continuarão a crescer, impactando tanto agricultores quanto instituições financeiras.
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