- Turbulência no mercado de dívida brasileiro elevou custos de empréstimos, com quedas nos títulos de Braskem, Ambipar e Raízen e recuo de emissões em moeda forte.
- CSN cancelou refinanciamento em dólares; Vamos teve título de estreia mais caro; Aegea e Casa dos Ventos reduziram emissões de debêntures.
- Em outubro, emissões em moeda forte caíram mais da metade frente ao mesmo mês de 2024; Selic em 15% ao ano aumenta a pressão sobre o crédito.
- O mercado encara a pressão como idiossincrática e não sistêmica; custos de empréstimos para empresas subiram quase 1 ponto percentual ante títulos do Tesouro dos EUA entre setembro e outubro; investidor continua cauteloso.
- Raízen, empresa alavancada, enfrenta dificuldades com perdas em títulos; governo acompanha, mas não vê risco sistêmico, enquanto a cautela persiste devido à instabilidade econômica.
As turbulências no mercado de dívida brasileiro têm elevado os custos de empréstimos, levando empresas a rever seus planos de captação. Recentes eventos como a queda nos títulos da Braskem, Ambipar e Raízen evidenciam a cautela dos investidores. A CSN, por exemplo, cancelou um refinanciamento em dólares e a Vamos enfrentou um aumento nos custos de seu título inaugural.
Em outubro, as emissões de títulos em moeda forte caíram mais da metade em comparação ao mesmo mês do ano anterior. A Aegea e a Casa dos Ventos também reduziram suas emissões de debêntures, refletindo um cenário desafiador. Os juros elevados, com a Selic em 15% ao ano, pressionam ainda mais o crédito no Brasil.
Reação do Mercado
A pressão sobre o mercado de crédito é vista como idiossincrática, não sistêmica. Apesar disso, o sentimento dos investidores se deteriorou, principalmente devido a desvalorizações recentes. O aumento dos custos de empréstimos para empresas brasileiras subiu quase um ponto percentual em relação aos títulos do Tesouro dos EUA entre setembro e outubro.
Analistas destacam que muitos investidores permanecem cautelosos. Bevan Rosenbloom, da Seaport Global Holdings, observou que o mercado pode estar “efetivamente fechado” para alguns emissores. Empresas alavancadas, como a Raízen, enfrentam dificuldades, com perdas significativas nos títulos emitidos.
Perspectivas Futuras
Embora o governo brasileiro monitore a situação, não vê risco sistêmico. Contudo, a pressão da Selic tem impactado o fluxo de caixa de diversas empresas. Cristian Fera, da KNG Securities, afirmou que “todas as empresas brasileiras estão sob escrutínio”, indicando que a cautela dos investidores deve persistir enquanto o cenário econômico se mantém instável.
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