- Inadimplência do produtor rural atinge 8,1% no 2º tri de 2025, alta de 0,3 ponto percentual frente ao 1º tri e aumento anual de 1,1 ponto, segundo Serasa Experian.
- O cenário reflete crise de fluxo de caixa e endividamento que persiste no setor há anos, com quebra de safra no ano anterior e efeitos da pandemia; 2025 teve colheita recorde de soja e milho, mas adimplência segue deteriorando.
- Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa, afirma que a piora é lenta, porém contínua, demandando reestruturação e atenção imediata.
- Setores mais afetados: maior concentração de inadimplência no sistema financeiro, com destaque para arrendatários e grandes proprietários; produtores sem cadastro rural somam 10,5% dos inadimplentes e grandes proprietários 9,2%.
- Banco do Brasil, principal credor do agronegócio, já havia sinalizado resiliência da inadimplência; divulgação dos resultados do terceiro trimestre prevista para quarta-feira, 12, eleva o alerta sobre impactos financeiros nos meses seguintes.
O índice de inadimplência do produtor rural no Brasil atingiu 8,1% no segundo trimestre de 2025, conforme dados da Serasa Experian. Este número representa um aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e um crescimento anual de 1,1 ponto percentual. O cenário reflete a persistente crise de fluxo de caixa e endividamento que assola o setor há anos.
A situação é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a quebra de safra de grãos no ano anterior e os efeitos prolongados da pandemia. Apesar de 2025 ter registrado uma colheita recorde de soja e milho, a capacidade dos produtores de manter a adimplência continua a se deteriorar. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa, afirma que a piora é lenta, mas contínua, exigindo reestruturação e atenção imediata.
Setores mais afetados
Os dados revelam que a maior parte da inadimplência está concentrada no setor financeiro, especialmente entre arrendatários e grandes proprietários. Produtores sem registro de cadastro rural representam 10,5% dos inadimplentes, enquanto os grandes proprietários somam 9,2%. Pimenta explica que produtores que arrendam terras enfrentam margens mais apertadas, enquanto os grandes produtores podem se expor a riscos excessivos.
O Banco do Brasil, principal credor do agronegócio, já havia comentado que a inadimplência se mostrava resiliente, destacando a necessidade de monitoramento constante. Com a divulgação dos resultados do terceiro trimestre prevista para esta quarta-feira (12), o setor permanece em alerta para as implicações financeiras que podem surgir nos próximos meses.
Entre na conversa da comunidade