- Quarenta e um por cento das PMEs entram o primeiro trimestre com caixa negativo, e sete em cada dez não têm reserva para três meses de custos fixos.
- Despesas típicas de fim de ano, como 13º salário, férias, encargos trabalhistas e reforço de estoques, se somam a recuo de vendas.
- Entre janeiro e março, vencem tributos como DAS, IRPJ, IPTU, IPVA, Simples Nacional e recolhimentos federais, além de reajustes contratuais anuais.
- Estudos indicam crescimento na renegociação de dívidas entre 20% e 28% no primeiro trimestre.
- Recomenda-se planejamento antecipado: revisar margem de contribuição, recalcular ponto de equilíbrio, definir prioridades de pagamento e projetar tributos para os primeiros meses.
O efeito-tesoura já se manifesta no início de 2026. Dados do Sebrae e da CNC indicam que 41% das PMEs entram o primeiro trimestre com caixa negativo, e 7 em cada 10 empresários não têm reserva para três meses de custos fixos. O cenário combina gastos concentrados e menor consumo.
Além disso, as despesas típicas do fim de ano se acumulam. Entram 13º salário, férias, encargos trabalhistas e reforço de estoques. Ao mesmo tempo, as vendas costumam recuar após dezembro, ampliando a diferença entre custos e receitas.
Entre janeiro e março, a carga tributária aumenta a pressão. Obrigações como DAS, IRPJ, IPTU, IPVA, Simples Nacional e outros recolhimentos federais vencem nesse período. Reajustes contratuais anuais também reduzem a folga financeira.
Calendário que aperta o caixa
Segundo Patrícia Bastazini, especialista em gestão contábil, o problema se repete pela falta de planejamento. Ela afirma que empresas chegam a dezembro sem estrutura financeira e encontram acúmulo de obrigações em janeiro. Controle de fluxo de caixa ajuda.
Estudos da Serasa Experian mostram que pedidos de renegociação de dívidas crescem entre 20% e 28% no primeiro trimestre. A ausência de um calendário financeiro detalhado dificulta a negociação com fornecedores e credores.
Planejamento reduz exposição
A recomendação é agir antes da virada do ano. Bastazini orienta revisar a margem de contribuição, recalcular o ponto de equilíbrio, definir prioridades de pagamento e projetar tributos para os quatro primeiros meses. Essas medidas reduzem a exposição.
O efeito-tesoura não surge de surpresa. Ele se constrói nos meses anteriores, com decisões adiadas e números mal acompanhados. Quem chega a janeiro com projeções claras mantém espaço de manobra; quem improvisa perde tempo.
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