- O texto antecipa o segundo choque chinês, com foco em liderança de tecnologia avançada e uma política industrial dirigida pelo Estado, incluindo planos para 2026 e o 15º plano quinquenal.
- Xi Jinping enfatizou otimismo com a conferência econômica central, mas as medidas propostas apontam para mais política econômica expansionista, com maior déficit fiscal e estímulos ao consumo interno.
- A China manteve o objetivo de fortalecer a demanda doméstica em 2026, embora o consumo seja ainda considerado fraco e mal diagnosticado como problema de demanda, não apenas oferta.
- Em 2024, a China registrou superávite de cerca de US$ 1 trilhão em comércio de bens, com forte pressão de exportação para a Europa e o Reino Unido; importações locais continuam relativamente fracas.
- A resposta do Reino Unido tem sido tímida; autoridades estudam ações com a Europa em políticas para aço, e o ministro da Comércio pode acionar investigações contra práticas injustas, enquanto a visita de Keir Starmer à China pode não avançar tanto quanto a de Macron.
Emmanuel Macron retornou da China no começo de dezembro sem acordos relevantes. O apelo ao presidente Xi Jinping para evitar a guerra na Ucrânia não prosperaria, diante do apoio de Beijing a Moscou. Também não houve sensibilidade para o excesso de oferta comercial chinesa.
Xi priorizou a agenda interna: a preparação para a última reunião do politburo do ano e a CEWC. O foco foi o novo 15º plano quinquenal, a ser apresentado em março, e os passos para iniciar 2026 com boa performance econômica.
Aqui fica a leitura sobre o que se entende como o segundo choque chinês. O primeiro, em 2001, foi a integração de Pequim à OMC, com impactos globais no emprego e nos recursos. O segundo envolve liderança tecnológica industrial em larga escala, com políticas estatais.
Beijing celebrou o desempenho na CEWC, afirmando estar no caminho correto. Contudo, as medidas propostas incluem flexibilização monetária, maior déficit fiscal, estabilização do setor imobiliário e aumento de gastos sociais, ante um ambiente externo mais complexo.
O governo chinês aponta como tarefa prioritária de 2026 o fortalecimento da demanda interna, com timbre de consumo e renda das famílias. Ainda assim, há críticas sobre diagnóstico: o fraco consumo seria consequência da oferta insuficiente de bens e serviços, não da demanda.
O eixo da política pública continua a favorecer a indústria, com participação do setor público em patamar superior ao de muitos países. O objetivo é dominar a chamada quarta Revolução Industrial até o meio do século, procurando redefinir a governança global conforme interesses chineses.
Essa combinação de estimular consumo e manter apoio à produção pode gerar conflitos de foco. Recursos, transferências, câmbio e regulação nem sempre caminham na mesma direção, o que aumenta riscos de superprodução e deflação.
As exportações chinesas mantêm impulso, apesar da demanda domesticada. O déficit de conta corrente é alimentado por exportações robustas, com um superávit de aproximadamente US$ 1 trilhão em bens neste ano, parte relevante com a Europa e o Reino Unido.
Desde 2022, as exportações cresceram cerca de 50%, enquanto as importações quase não evoluíram. Tarifas de 2020 não interromperam o excedente, mas mudanças na rota de comércio favoreceram remessas para sudeste asiático e Europa.
As exportações para a Europa passam a representar risco para indústria e empregos locais, com veículos, máquinas e alta tecnologia entre os itens destacados. Por outro lado, a China busca maior autossuficiência, restringindo oportunidades para produtores externos.
O câmbio subvalorizado ajuda as exportações, com o yuan em patamar real inferior cerca de 20% frente a três anos atrás. O FMI recomenda ajuste, mas o governo mantém a ideia de estabilidade da moeda.
Em Paris, Macron descreveu o desequilíbrio comercial com a Europa como insustentável para a indústria europeia. A União Europeia já impõe tarifas sobre importações de veículos elétricos chineses e monitora práticas comerciais injustas.
A resposta do Reino Unido tem sido mais contida. O governo coopera com a UE em política comercial de aço, e o secretário de Comércio, Peter Kyle, pode orientar investigações de práticas desleais.
Caso Keir Starmer visite a China em janeiro, o diálogo pode avançar em áreas não ligadas à segurança nacional. No entanto, o tom neutro permanece essencial para entender o que o “segundo choque” chinês significa para o país e para o UK.
Fontes: análises de especialistas, com foco em políticas industriais, comércio externo e impactos sobre a base produtiva europeia e britânica.
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