- Em 2026, o Brasil terá dois semestres bem distintos: começo com cortes moderados de juros impulsionados por fatores externos e, no segundo semestre, maior volatilidade por causa da eleição e da pressão fiscal.
- A projeção é de crescimento próximo a 2,3% em 2025 e 1,8% em 2026, com o mercado esperando continuidade do crescimento, ainda que mais lento.
- A Selic deve começar a cair no primeiro trimestre de 2026, com queda gradual e expectativa de encerramento em torno de 12,5% no fim do ano.
- O endividamento público pode chegar a 83,8% do PIB em 2026; o risco de dominância fiscal cresce se não houver um plano crível de ajuste após as eleições.
- Externalidades favoráveis no primeiro semestre (queda de juros nos EUA, investimentos em IA) contrastam com a incerteza fiscal e política que tende a elevar a volatilidade no segundo semestre.
A economia brasileira em 2026 deverá alternar entre dois semestres distintos. O primeiro tende a abrir janelas de oportunidade com cortes moderados de juros; o segundo, dominado pela incerteza eleitoral e por pressão fiscal. A volatilidade deve predominar nos mercados.
Analistas apontam que o ano será binário: ventos globais ajudam os ativos de risco no início, enquanto a política interna e o arcabouço fiscal definem o humor no segundo semestre. O desempenho da dívida pública e da inflação será crucial para o BC.
A escolha eleitoral em 2026 não será apenas sobre quem governa, mas sobre a credibilidade do ajuste fiscal pós-eleições. Sem uma sinalização clara de austeridade estrutural, há risco de dominância fiscal e de juros elevados por mais tempo.
Cenário externo: ventos globais ajudam o Brasil no 1º semestre
O começo de 2026 deve ser beneficiado por cenário externo resiliente. O FMI projeta atividade global estável, com Estados Unidos sem recessão. Investimentos em tecnologia e IA aparecem como motor de crescimento, apoiando o gasto privado e a confiança.
Cortes do Fed e efeito sobre mercados emergentes
A expectativa de queda gradual da taxa Selic externa favorece fluxos para ativos emergentes. Com inflação contida e desaceleração moderada do mercado de trabalho, o Fed pode manter postura conservadora no início de 2026, sustentando juros reais elevados.
Selic e política monetária: gastos limitam queda dos juros
No âmbito interno, o Banco Central atua com cautela diante da inflação e das despesas públicas. A Selic está em patamar elevado há tempo, refletindo a necessidade de contenção inflacionária e o papel do ajuste fiscal.
A projeção é de queda gradual no primeiro trimestre de 2026, com término do ciclo por volta de 12,5% ao fim de 2026. A sinalização de um plano fiscal crível pós-eleições é determinante para cortes mais expressivos.
Risco fiscal e a limitação da ação do BC
Economistas alertam para a dominância fiscal caso o ajuste não avance. A dívida pública deve subir para algo próximo de 83,8% do PIB em 2026, pressionando a política de juros. A composição da dívida e o peso de gastos obrigatórios ampliam esse risco.
Endividamento público e estrutura da dívida
O aumento da dívida, aliado a títulos pós-fixados e prazo curto, eleva a vulnerabilidade à rolagem. A manutenção de juros altos para conter a inflação é vista como consequência de desequilíbrios fiscais persistentes.
Projeções para a Selic e inflação de serviços
O BC deve iniciar cortes no 1º trimestre de 2026, com redução gradual. Mesmo assim, a Selic tende a encerrar 2026 em cerca de 12,5%. Desempenho do emprego e inflação de serviços limitam o espaço para cortes mais agressivos.
Desemprego baixo e inflação de serviços
A taxa de desemprego em outubro ficou em 5,4%, pressionando a inflação de serviços, estimada em 5,2% para 2026. Sem desaceleração nesse componente, o BC evita aprofundar cortes.
Oportunidades na bolsa e riscos no crédito
Mesmo com a Selic alta, o mercado de ações aparece como o segmento mais promissor no 1º semestre de 2026, com lucros corporativos estimados em 18%. A melhora pode ocorrer com a queda dos juros internos e retorno de fluxos estrangeiros.
Inadimplência e crédito sensíveis aos juros
A inadimplência permanece elevada, especialmente entre pessoas físicas. O nível de comprometimento da renda com dívidas atingiu recorde na série histórica iniciada em 2005. A recuperação do crédito deve vir apenas mais adiante, com defasagem de meses.
Eleições trazem volatilidade e incerteza fiscal à economia
No 2º semestre, as eleições acendem a volatilidade. A disputa coloca em foco se o próximo governo adotará um ajuste fiscal crível ou manterá o gradualismo. O mercado observa sinais de compromisso fiscal e mudanças efetivas nas despesas obrigatórias.
Plano fiscal crível do próximo governo
Analistas destacam que a clareza sobre o ajuste fiscal será determinante para a percepção de risco e para a trajetória da bolsa e do câmbio. Caso não haja sinalização suficiente, a volatilidade pode subir e a confiança ficar impactada.
Dominância fiscal: o fantasma que ronda 2027
Se o ajuste estrutural não ocorrer, corre-se o risco de dominância fiscal em 2027. Casos internacionais ilustram como ajustes centrados em receitas, sem reformas de gastos, podem inflacionar e reduzir a credibilidade do regime monetário.
Fim do arcabouço fiscal exige reformas estruturais
Especialistas apontam que as despesas obrigatórias crescem acima do limite da regra fiscal. Sem reformas, o custo dos juros permanece elevado, restringindo investimentos e comprometendo a continuidade do crescimento. A escolha de 2027 envolve decidir entre ajuste estrutural e dominância fiscal.
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