- O presidente americano Donald Trump intensificou ataques públicos à independência do Fed, envolvendo-se diretamente com o chair Jerome Powell sobre decisões de política monetária e reformas da sede.
- Em julho, Trump visitou as obras da sede do Federal Reserve em Washington, questionando o custo do projeto e discutindo o valor da obras com Powell presente.
- Trump tentou pressionar pela demissão de uma governadora do Fed, Lisa Cook, em meio a acusações não comprovadas e ações legais em curso, enquanto o caso segue no Supremo Tribunal.
- Enquanto isso, o Fed reduziu margens de juros para 3,5% a 3,75% e sinalizou cautela sobre mudanças futuras diante de riscos no mercado de trabalho e inflação.
- O presidente também sinalizou a busca por um novo presidente da instituição, com foco em potenciais nomes como Kevin Warsh e Kevin Hassett, o que alimenta tensões sobre a influência política sobre o banco central.
A pressão sobre a independência do Federal Reserve escalou em 2025, quando o governo de Donald Trump intensificou críticas públicas à instituição. O foco passou a ser a condução da política monetária e as renovações da sede de Washington do banco central. Trump questionou custos e decisões, em uma troca inusitada com o chair Jerome Powell durante uma visita ao prédio.
O episódio ocorreu no verão, nos bastidores do Fed, com apoiadores de Trump tentando explorar a reforma da sede para pressionar o banco. Trump afirmou que o custo do projeto subiu para cerca de 3,1 bilhões de dólares, sugerindo mudanças em relação ao valor inicialmente divulgado, enquanto Powell negou ter conhecimento dessas informações.
A sequência de acontecimentos marcou um desvio histórico: pela primeira vez, o chefe de Estado assumiu uma postura tão direta contra o principal formulador de política monetária dos Estados Unidos, que historicamente atua com independência. Analistas veem o episódio como símbolo de uma disputa sobre controle institucional.
Contexto e antecedentes
Ao longo de 2024, a economia passou por oscilações, com tarifas, questões trabalhistas e inflação em foco. O Fed elevou as taxas de juros para controlar a inflação, o que gerou impacto no emprego e no custo de crédito. Trump já defendia maior participação do Executivo na definição de prioridades da instituição.
Durante o ano, houve confronto público sobre a velocidade de cortes de juros. Trump chegou a sugerir que o presidente do Fed deveria ter voz mais ativa, ressaltando que a experiência dele poderia representar um diferencial. Em resposta, Powell manteve o tom técnico das comunicações oficiais.
Desenvolvimento recente
Em agosto, o governo lançou ações para afastar uma integrante do comitê de política monetária, Lisa Cook, sob alegações relacionadas a fraude imobiliária. Cook contestou a demissão e o caso segue em tramitação, com decisões pendentes no Supremo Tribunal. O episódio gerou debates sobre a extensão do poder do Executivo sobre o Fed.
Apesar das tensões, analistas destacam que o Fed manteve o rumo da política monetária com foco na estabilidade financeira. Economistas consultados ressaltam que a independência da instituição continua um pilar-chave para expectativas de inflação e para o comportamento de mercados.
Perspectivas futuras
O Conselho de Governo do Fed mantém sua composição, com previsão de próximos impactos nas decisões de política monetária. A discussão sobre quem poderá assumir a presidência do Fed ao fim do mandato de Powell em 2026 está em pauta, com o debate interno sobre candidatos, entre eles figuras ligadas ao governo.
Enquanto o governo avalia opções, o mercado financeiro observa com cautela as TVIs de sinalização de políticas. Especialistas ressaltam que qualquer mudança relevante na independência do Fed pode influenciar expectativas de inflação, juros e atividade econômica no médio prazo.
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