- Crise habitacional atinge as gerações mais velhas do Reino Unido, com mais de 60 anos buscando ajuda para ficar sem teto.
- Organizações de caridade relatam idosos em abrigos emergenciais, dormindo em carros ou em camas de acampamento, e com doenças agravadas pela falta de moradia.
- Funcionários da St Mungo’s e da Salvation Army dizem que cortes municipais e a escassez de moradias sociais dificultam a prioridade de idosos em listas de espera.
- Casos citados incluem um homem de 87 anos e Raymond, de 63, que ficou sete semanas dormindo no carro antes de conseguir abrigo, enfrentando problemas de saúde e alimentação.
- Pesquisas indicam que 17% dos idosos gostariam de se aposentar, mas não conseguem devido aos custos de moradia; aumento de idosos em acomodações temporárias e incerteza sobre o futuro habitacional.
O aumento da falta de moradia entre pessoas com mais de 60 anos é tema de alerta de organizações caritativas no Reino Unido. Rents privadas elevadas e a escassez de moradias sociais agravam a situação, levando idosos a recorrer a apoio emergencial. Em muitos casos, há deslocamento para abrigos ou sono em carros.
Entidades de apoio apontam que casos de saúde comprometida aparecem entre quem não consegue manter moradia estável. Idosos relatam dificuldades como edema e cansaço ao dormir em lugares precários ou em colchões de abrigos temporários.
Marie Dennehy, gestora sênior da St Mungo’s, disse que há mais pensionistas com problemas complexos chegando a apoio habitacional de emergência. Ela cita um 87 anos como exemplo da vulnerabilidade crescente. Paralelamente, cortes municipais reduzem prioridades de aluguel social.
Dan Holland, da Salvation Army, ressaltou que cerca de 10% dos residentes em moradias assistidas têm mais de 55 anos. Ele aponta que muitos dependem de benefícios habitacionais congelados, o que aumenta o risco de perder moradia.
Raymond, 63, dormiu no carro por sete semanas após o fim do casamento e só conseguiu abrigo em um centro da Salvation Army no noroeste. Ele descreveu inchaço nas pernas e dificuldade para comer adequadamente, sem orientações consistentes.
Holland alerta para a necessidade de planejamento de cuidados paliativos para pessoas sem moradia com doenças graves, incluindo no final da vida. Segundo ele, o setor precisa antecipar esse desafio.
Uma pesquisa da Crisis mostra que 17% dos idosos gostariam de se aposentar, mas não conseguem devido aos custos de moradia. Além disso, o número de pessoas mais velhas em moradias temporárias aumentou 35% desde março de 2022 na Inglaterra.
Especialistas atribuem o problema à crise habitacional crônica, que torna a compra de casa inacessável e empurra idosos para aluguéis longos com risco de despejo ou aumentos. Pesquisas indicam acesso cada vez mais restrito a moradia social para os mais pobres.
Ben Twomey, da Generation Rent, afirma que aluguéis altos prendem idosos ao aluguel por décadas, gerando moradias inadequadas e impactos à saúde, com consequências para a possibilidade de manter-se estável. Edith Gomes Munda, 61, relata medo de mudanças constantes devido a vendas de imóveis pelos proprietários.
Munda explicou que, embora tenha trabalhado e contribuído, não consegue obter financiamento para comprar casa. Ela vê o acesso à moradia social como única opção, mas as listas de espera são longas, aumentando a incerteza.
Especialistas ressaltam que o governo ainda não publicou uma estratégia habitacional de longo prazo, com previsão para março do próximo ano. A prioridade a idosos em políticas públicas é destacada como essencial para enfrentar a situação.
Lisabel Miles, da Age UK, afirma que até reformas no setor de aluguel privado não atendem plenamente as necessidades dos mais velhos. Ela aponta que muitos idosos alugam por décadas com preocupações reais sobre o futuro da moradia.
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