- Em meio à crise institucional envolvendo o TCU e o Banco Central, a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025, gerou mobilização coordenada do sistema financeiro para defender a independência técnica do BC.
- Em 5 de janeiro, bancos divulgaram nota conjunta defendendo a autonomia do BC e a atuação técnica, prudente e vigilante da autarquia, após decisões que ampliaram o debate sobre revisão de decisões do regulador.
- O relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, determinou inspeção no BC, consolidando a percepção de crise institucional; o ministro da Fazenda apoiou o BC, chamando o episódio de possível fraude bancária significativa.
- O presidente do BC, Gabriel Galípolo, assinou manifesto internacional em defesa da independência das autoridades monetárias, alinhando apoio ao Federal Reserve e ao objetivo de estabilidade de preços.
- Um acordo entre BC e TCU reduziu a tensão: o BC concordou com a inspeção, o TCU recuou quanto ao alcance de suas medidas, e permanece a expectativa de auditoria com duração estimada de um mês, mantendo a autonomia técnica como ponto central.
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, em meio a um choque institucional com o TCU. O episódio provocou reação de entidades do sistema financeiro, que mobilizaram ações de bastidores para evitar qualquer revisão de decisões técnicas do regulador. O caso é visto como inédito em 61 anos de regulação.
A mobilização envolveu bancos privados, a Febraban e autoridades financeiras, que defenderam a autonomia do BC e a natureza técnica das decisões tomadas. Em 5 de janeiro, essas entidades divulgaram nota conjunta reafirmando a independência da autarquia e a importância de manter decisões técnicas intactas.
No mesmo período, o TCU intensificou a análise ao mandar inspecionar o BC e levou o tema ao plenário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a declarar apoio ao BC, mencionando a possibilidade de tratar-se de uma das maiores fraudes do setor. O BC, por sua vez, assinou um manifesto em defesa da independência monetária.
A liquidação do Master, apurada após suspeitas de fraudes e de reavaliação indevida de ativos, gerou debate sobre impactos em investimentos e juros, além de ampliar as implicações institucionais. O FGC foi acionado para ressarcimento de investidores, aumentando a tensão entre guias regulatórios e operacionais.
A tensão entre BC e TCU levou o tribunal a aceitar uma solução de inspeção com supervisão do TCU, abrindo espaço para que o BC retireu a proposta de levar o tema ao plenário. O acordo buscou reduzir a temperatura do embate sem abrir mão da autonomia técnica do regulador.
Relatórios de bastidores indicam que a relação entre o controlador do Master, Daniel Vorcaro, e autoridades tem influenciado o cenário político-administrativo. Observadores ressaltam que o entrelaçamento de atores aumenta o potencial de impactos sobre decisões regulatórias e políticas públicas.
Especialistas apontam que a mobilização dos bancos, o papel do TCU e a atuação do BC demonstram uma dinâmica incomum no setor financeiro. A melhoria na cooperação entre órgãos não impede, no entanto, a continuidade das disputas sobre o mérito das decisões de liquidação.
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