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Cunhado de Vorcaro participou de resort da família de Toffoli, aponta jornal

Cunhado de Vorcaro investiu na compra de participação da família Toffoli em resort paranaense, via fundos envolvidos em apuração de irregularidades

O ministro Dias Toffoli, do STF. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
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  • Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, teve participação em investimentos que compraram parte da participação da família de Dias Toffoli no Tayayá Resort, no interior do Paraná. A fatia avaliada em 6,6 milhões de reais foi adquirida entre 2021 e 2022 por meio dos fundos Leal e Arleen.
  • Os fundos, geridos pela Reag Investimentos, somaram cerca de 20 milhões de reais no resort; a Reag foi liquidada pelo Banco Central.
  • Toffoli não tem participação direta no resort, mas frequenta o local; o caso está ligado a inquérito do STF sobre supostas fraudes no Banco Master, que envolve Vorcaro e a Reag.
  • Zettel afirmou ter sido cotista do fundo, ter deixado o investimento em 2022 e que o fundo foi liquidado em 2025; a defesa de Vorcaro diz que ele não tem nem teve relação com o resort ou com esses veículos.
  • Em 2025, o advogado Paulo Humberto Barbosa tornou-se único dono do Tayayá; a JBS afirmou que o escritório não representa mais a empresa, e a apuração aponta liquidação do fundo Arleen após investigações da PF sobre fundos ligados à Reag.

O cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, participou de investimentos que compraram parte da participação da família do ministro Dias Toffoli, do STF, em um resort no interior do Paraná. A transação envolve o Tayayá e foi avaliada em 6,6 milhões de reais, segundo documentos financeiros obtidos pelo Estadão.

Registros analisados apontam que Zettel foi o único cotista, entre 2021 e 2025, do fundo de investimentos Leal, utilizado para estruturar o aporte no empreendimento. Por meio desse fundo e de outro, administrados pela Reag Investimentos, foram investidos cerca de 20 milhões de reais no resort, cuja composição acionária era ligada aos familiares de Toffoli.

A Reag Investimentos, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central na véspera, também administrava os fundos envolvidos. Zettel afirmou ter sido cotista do fundo, ter saído do investimento em 2022 e que o fundo foi liquidado em 2025. A defesa de Vorcaro sustenta que ele não tem participação em negócios relacionados ao resort ou a esses veículos.

Desdobramentos envolvendo Toffoli e o resort

A apuração não indica participação direta de Toffoli no Tayayá, mas registra que ele costuma frequentar o local. O ministro é relator no STF do inquérito sobre supostas fraudes no Banco Master, que envolve Daniel Vorcaro e a Reag Investimentos. O processo chegou à Corte após pedido da defesa do banqueiro, e Zettel já havia sido preso e solto no âmbito da investigação.

A estrutura financeira utilizou o fundo Leal, único cotista do fundo Arleen, para adquirir a participação da família Toffoli no Tayayá. Em setembro de 2021, o Arleen tornou-se sócio de empresas ligadas ao Tayayá, recebendo um aporte de 20 milhões de reais e colocando Zettel como parceiro de negócios dos familiares do ministro.

As empresas beneficiadas foram a Tayayá Administração e Participações e a DGEP Empreendimentos, controladas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani, com sócia a Maridt S.A., ligada aos irmãos do ministro. Documentos da Junta Comercial do Paraná indicam a compra de metade da participação dessas empresas, equivalente aos 6,6 milhões de reais.

A relação entre o fundo e a família Toffoli se manteve até 2025, quando as participações foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, hoje único dono do Tayayá. Barbosa atua em causas tributárias ligadas à JBS e mantém ligações com empresários do grupo, enquanto Toffoli suspendeu, em 2023, o pagamento de parcelas de uma multa de 10,3 bilhões de reais imposta à J&F na operação Greenfield.

Barbosa informou à CNN Brasil que, em outubro de 2025, a JBS comunicou a suspensão de serviços advocatícios por aumento de dedicação a atividades próprias, e que o investimento no Tayayá está ligado à transformação do resort em um dos maiores complexos turísticos da região. A JBS afirmou não haver relação entre o escritório do advogado e as empresas citadas.

A apuração do Estadão indica ainda que o fundo Arleen, criado em 2021 com prazo de 20 anos, tinha o Leal como único cotista, mas foi liquidado em novembro de 2025, após operações da Polícia Federal contra fundos administrados pela Reag. Auditorias da CVM apontaram falta de documentos e dificuldades para avaliar ativos, incluindo o Tayayá, levantando preocupações sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro.

Relatórios indicam que o fundo Leal investiu em empresas associadas a Daniel Vorcaro, incluindo uma empresa de tecnologia gerida por Zettel e um conglomerado de turismo. Esses vínculos ampliam o alcance das investigações sobre o uso de fundos em operações financeiras sob suspeita envolvendo o Banco Master.

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