- Christopher Wood, chefe global de estratégia de ações da Jefferies, tirou o Bitcoin do portfólio modelo após quatro anos, substituindo 10% por ouro físico e por ações de mineração de ouro.
- A mudança foi motivada por temores de que a computação quântica possa comprometer a segurança criptográfica do Bitcoin em poucos anos.
- Estima-se que cerca de 30% da oferta circulante de Bitcoin fique vulnerável a ataques quânticos sob determinadas condições.
- O debate sobre o tema divide especialistas: alguns defendem que defesas quânticas já estão sendo preparadas; outros alertam para planos públicos de reduzir criptografia clássica até 2030.
- O preço do Bitcoin permanece próximo de US$ 97 mil, com o ouro ganhando atratividade como proteção tradicional.
Christopher Wood, estrategista global de ações da Jefferies, retirou o Bitcoin do modelo de portfólio após quatro anos. O espaço de 10% foi substituído por ouro físico e ações de mineração, em meio a alertas sobre a possibilidade de computação quântica comprometer a segurança criptográfica.
A decisão acompanha temores crescentes de que avanços em computação quântica possam desestruturar a função de criptografia do Bitcoin, afetando sua viabilidade como reserva de valor de longo prazo. Wood descreveu a mudança em sua newsletter Greed & Fear.
Segundo a matéria, Wood afirma que a comunidade de Bitcoin vem vendo a ameaça como mais próxima, com possibilidade de surgir em poucos anos, em vez de uma década ou mais. Ele aponta risco existencial se a criptografia for quebrada.
Ameaça quântica divide o ecossistema
Especialistas divergem sobre o timing e a gravidade do risco. Nic Carter, sócio da Castle Island Ventures, afirmou que desenvolvedores de Bitcoin estariam em negação diante do avanço da computação quântica. Movimentos de capital para computação quântica já envolvem centenas de milhões de dólares.
Adam Back, CEO da Blockstream, rebateu, afirmando que desenvolvedores preparam defesas quânticas sem gerar pânico. Em resposta, Carter manteve o temor, citando investimentos significativos para criar criptografia resistente a quânticos.
Analistas lembram que empresas captam recursos para desenvolver computadores quânticos capazes de quebrar criptografia de curvas elípticas, o que impulsiona a discussão sobre a evolução da segurança do Bitcoin.
Impactos na oferta e no mercado
Estimativas indicam que cerca de 30% da oferta circulante de Bitcoin poderia ficar exposta a ataques quânticos sob certas condições. Dados da Coinbase apontam aproximadamente 6,51 milhões de BTC em endereços vulneráveis.
Especialistas citados em entrevistas destacam que wallets com chaves públicas visíveis podem sofrer vulnerabilidade quando montagens de prova de conhecimento (public keys) forem exploradas por equipamentos quânticos potentes.
Instituições já reconhecem o tema. BlackRock mencionou riscos quânticos em documentos de fundos de Bitcoin, enquanto Paolo Ardoino, da Tether, reconheceu a exposição a carteiras inativas, mas disse que a migração para endereços resistentes a quânticos será necessária quando disponível.
Mercado encara a discussão
Apesar das incertezas, o Bitcoin oscila próximo de US$ 97 mil, sustentado por fluxos de ETFs e otimismo macro. Analistas de mercado ressaltam que o comportamento de detentores de ETFs pode sinalizar a continuidade do rali frente a dúvidas técnicas.
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