- A PF afirma ter indícios veementes de que o dono do Master seria líder de organização criminosa para captação ilícita de recursos; investigação foi prorrogada por mais sessenta dias.
- Daniel Vorcaro disse ter conversado algumas vezes com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre negociações entre BRB e Master; Ibaneis disse que a informação está equivocada.
- Investigação aponta que o Master vendeu doze bilhões e duzentos milhões de reais em carteiras inexistentes ao BRB, com o objetivo de salvar o banco em crise de liquidez.
- O rombo do BRB é estimado em quatro bilhões de reais; o Master foi liquidado pelo Banco Central no dia dezoito de novembro.
- A PF retomará os depoimentos de oito pessoas entre amanhã e terça-feira para dar continuidade às investigações.
O Banco Master segue sob investigação nos próximos dias, com depoimentos de integrantes do banco, do BRB e de empresários. A Polícia Federal avalia indícios de irregularidades em operações envolvendo as duas instituições.
A PF afirmou ter indícios veementes de que o dono do Master seria líder de organização criminosa responsável por captação ilícita de recursos. A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e o STF prorrogou as apurações por mais 60 dias, a pedido da defesa.
Vorcaro disse à PF ter conversado algumas vezes com Ibaneis Rocha sobre negociações entre BRB e Master. Ibaneis afirmou ao UOL que a informação está equivocada, e confirmou ter participado de um almoço na casa do banqueiro, entrando sem falar e saindo em silêncio.
Investigações apontam venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras que, segundo o MPF e a PF, eram inexistentes, em operação para salvar o banco privado diante de uma crise de liquidez. A PF intimou ex-executivos do Master e do BRB para depor no fim de janeiro e início de fevereiro, e Vorcaro negou a fraude à imprensa.
O rombo do BRB é estimado em cerca de R$ 4 bilhões. O escândalo resultou na liquidação do Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Ex-presidente do BRB afirmou ao STF que informou Ibaneis sobre a operação, mas que a decisão de comprar ativos partiu dele.
Atuação de Toffoli
Toffoli encaminhou o caso ao STF após pedido da defesa de Vorcaro. O banqueiro foi preso em novembro e solto dez dias depois. Em 14 de janeiro, o ministro criticou publicamente a PF pela primeira fase da nova operação, cobrando explicações do diretor-geral Andrei Rodrigues.
Três dias depois, a ADPF manifestou preocupação com o andamento das investigações. Houve desentendimento entre PF e o ministro, com mudanças na condução da apuração e lacração de material apreendido. Peritos da PF foram nomeados para analisar os bens apreendidos.
Rioprevidência na mira
A PF realizou operação contra o presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, que foi exonerado após busca e apreensão na Operação Barco de Papel. A ação envolve nove operações financeiras associadas ao Master, com aportes estimados em cerca de R$ 970 milhões entre 2023 e 2024.
A Rioprevidência afirma que os investimentos seguiram a lei e as normas dos órgãos de controle. A autarquia disse estar à disposição para esclarecer as dúvidas das autoridades sobre os aportes realizados.
Próximos passos
A Polícia Federal ouvirá oito pessoas entre amanhã e terça-feira para consolidar as informações. Entre os citados estão executivos do Master e do BRB, além de empresários investigados por supostasfraudes. As oitivas visam esclarecer o papel de cada um nas operações questionadas.
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