- A criminalidade envolvendo criptomoedas atingiu US$ 158 bilhões em 2025, aumento de 145% versus 2024.
- Apesar do valor maior, a parcela ilícita do volume on‑chain caiu para 1,2% em 2025, ante 1,3% em 2024.
- Sanções e infraestrutura associada a redes russas foram principais motores, com a stablecoin atrelada ao rublo A7A5 movimentando mais de US$ 72 bilhões. Pelo menos US$ 39 bilhões estavam ligados a carteiras da entidade de evasão de sanções A7.
- Crimes envolvendo criptografia somaram US$ 2,87 bilhões em quase 150 hacks e golpes, sendo cinco casos responsáveis por cerca de 70% das perdas, incluindo o ataque à Bybit em fevereiro (US$ 1,46 bilhão).
- Fraudes, incluindo esquemas com stablecoins, dominaram as entradas ilícitas; há uso crescente de IA generativa para ampliar golpes, além da expansão de mercados ilícitos, como o tráfico de drogas online.
A TRM Labs divulgou um relatório sobre crime cripto em 2025, apontando um valor nominal recorde de 158 bilhões de dólares no ano. Mesmo com o aumento, a participação de atividades ilícitas na economia de ativos digitais caiu, mantendo a atuação menor que o total do setor.
O estudo mostra que, apesar do franco crescimento dos montantes, as transações ilícitas representaram apenas 1,2% do volume on-chain de criptomoedas em 2025, ante 1,3% em 2024 e bem abaixo do pico de 2,4% em 2023. O dado reforça uma tendência de maior uso de infraestruturas para operações legais e ilegítimas.
Panorama da criminalidade cripto em 2025
Segundo a TRM, a redução da participação relativa se deu mesmo com o crescimento absoluto de atividades ilícitas em algumas categorias. A empresa aponta que, ao medir o risco pela relação entre atividade ilícita e capital disponível, houve queda de 2,7% para 2,7% da liquidez, mantendo o patamar próximo ao atual.
O relatório aponta que a maior parte do volume ilícito de 2025 esteve vinculada a sanções, com forte associação a fluxos ligados à Rússia. O uso de uma stablecoin lastreada no rublo, chamada A7A5, somou mais de 72 bilhões de dólares em transações ao longo do ano, impulsionando os números de sanções.
Pelo menos 39 bilhões de dólares de transações estavam conectados a carteiras associadas ao sistema de evasão de sanções A7, sugerindo coordenação em uma infraestrutura financeira estatal, em vez de uso maciço pelo mercado aberto.
Stablecoins foram o principal meio, com atividade migrando para canais menos regulados conforme endurecimento de sanções e fiscalização. As mudanças geopolíticas também influenciaram comportamentos em países como Venezuela e Irã, aumentando o uso de stablecoins e transações peer‑to‑peer.
Principais vertentes da criminalidade em 2025
Outro componente relevante é o roubo de criptomoedas, que alcançou 2,87 bilhões de dólares em quase 150 golpes e falhas de segurança. Embora o número de incidentes tenha mostrado leve queda, os prejuízos cresceram, com ataques voltados para infraestrutura operacional.
Um ataque em fevereiro, ligado à Coreia do Norte, atingiu a Bybit e teria custado cerca de 1,46 bilhão de dólares, representando mais da metade das perdas anuais. Cinco casos totais concentraram cerca de 70% do montante furtado, evidenciando o peso de grandes incidentes.
Fraudes permanecem estáveis em nível global, somando aproximadamente 35 bilhões de dólares em perdas, com golpes de investimento — incluindo esquemas de “pig butchering” e Ponzi — respondendo por quase dois terços desse total. As stablecoins dominaram as entradas de fraude.
A TRM também aponta uso crescente de IA generativa por redes criminosas para ampliar alcance e tornar fraudes mais convincentes, acelerando a lavagem de dinheiro para movimentar recursos em poucos dias. Outras atividades ilícitas ampliaram-se, com tráfico de drogas online superando 3,4 bilhões de dólares em volume cripto.
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