- Em 2026 foi oficializado o ano da vida analógica, valorizando menos tecnologia e menos uso de IA no dia a dia.
- O movimento incentiva experiências presenciais, mídia física e hobbies táteis, visando simplicidade e nostalgia.
- A indústria da moda enfrenta resistência de consumidores ante modelos e campanhas gerados por IA, com foco em uso consciente e alinhamento com a identidade da marca.
- O perfil dos “gleamers”, segundo a previsão da WGSN, valoriza prazeres simples, comunidade e experiências acessíveis, em vez de grandes inovações tecnológicas.
- A recomendação para marcas é manter o foco no ethos humano, autenticidade, qualidade e preços razoáveis, investindo em experiências que promovam conexão real com o consumidor.
O ano de 2026 é marcado pela ideia de vida analógica, um movimento que privilegia menos tecnologia e mais atividades manuais. A virada começou com hashtags e viralização nas redes, mas ganhou tração em espaços públicos e lojas de varejo que promovem formatos offline. A proposta é resistir ao domínio da inteligência artificial e resgatar o prazer do feito à mão.
Especialistas apontam que marcas, consumidores e estudantes têm buscado experiências tangíveis, como jornais impressos, projetos de autopublicação e hobbies que envolvem toque e tempo. A tendência envolve reduzir o tempo de tela, ao mesmo tempo em que se valoriza autenticidade, qualidade e acessibilidade.
Reação do Marketing
A indústria da moda passou a enfrentar resistência de consumidores diante de campanhas geradas por IA, vistas como distantes ou descoladas da identidade das marcas. O debate ganhou espaço em entrevistas com profissionais da área, que criticam o uso acelerado de IA sem alinhamento com o público.
Anjela Freyja, criativa e analista de tendências, sustenta que o foco deve ser entender quem é a marca e o que ela comunica. Segundo ela, o uso da IA precisa nascer de uma estratégia clara, não apenas para acompanhar modismos. A autenticidade, ela afirma, é elemento-chave para gerar confiança.
Para Freyja, a comunicação que funciona é simples e honesta. Ela defende que marcas devem evitar promessas vazias e se manter fiéis ao que representam, especialmente diante da Geração Z. O objetivo é conectar emocionalmente, não apenas acompanhar tendências tecnológicas.
Consumidores Desejam Experiências
Pesquisas indicam que o movimento analógico de 2026 valoriza experiências presenciais. O relatório Future Consumer 2026, da WGSN, descreve os gleamers como pessoas que priorizam redes de apoio comunitário e prazeres simples, em vez de marcos tradicionais da vida.
As empresas são orientadas a investir em ações presenciais, com propósito, para atrair esse público. Segundo Kirsten Craig, CEO da Activate Inc., experiências desenhadas a partir de insights humanos geram engajamento autêntico, com conteúdo orgânico criado pelos próprios participantes.
Craig afirma que o foco deve ser o que as pessoas sentem e lembram, não apenas o que és capaz de fazê-las compartilhar online. A ideia é oferecer ativação de marcas com cuidado humano, evitando dependência excessiva de IA para o resultado final.
O Futuro da Moda Inspirado no Analógico
O movimento analógico impõe às marcas de moda uma revisão de estratégias para não perder espaço entre consumidores que rejeitam excessos tecnológicos. A tendência não implica abandonar IA, segundo especialistas, mas sim priorizar o ethos da marca e a experiência humana como base de comunicação.
Especialistas destacam que ambientes físicos, lojas com experiências e parcerias com pequenos negócios podem sustentar o interesse público. Embora a IA siga relevante em pesquisa e desenvolvimento, sua aplicação precisa ser bem fundamentada na relação emocional com o consumidor.
Entre na conversa da comunidade