- Banco Master, com ativos de 80 bilhões de reais, encerrou a operação com apenas 4 milhões de reais em caixa, segundo o atual diretor de Fiscalização do Banco Central em depoimento à PF.
- Investigações apontam que o conglomerado fraudou títulos e inflou ativos para simular capacidade de pagamento a credores, mantendo um modelo baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e emissão de CDBs com rentabilidade acima da média.
- Segundo os relatos, houve uso de triangulações entre fundos para financiar o banco, com empréstimos a empresas de fachada ligadas a laranjas e compras de ativos de baixo valor, como letras de crédito infladas.
- As operações envolvendo a Tirreno Consultoria e o Banco de Brasília (BRB) são apontadas pelo BC como suspeitas de venda de créditos podres sem coobrigação, com transferências supostamente sem desembolso real de recursos.
- Vorcaro nega pagamentos à Tirreno, afirmando que não houve transação concluída, mas o BC aponta indícios de engenharia contábil para viabilizar captação de recursos junto ao BRB.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve a liquidez colocada em xeque e foi decretada liquidada pelo Banco Central em novembro, quando possuía apenas 4 milhões de reais em caixa, frente a 80 bilhões em ativos. A deficiência de caixa foi apresentada como principal razão para a intervenção.
Investigações conjuntas da Polícia Federal e do BC apontam um esquema de triangulação de fundos, uso de empresas de fachada e carteiras fictícias para simular capacidade de honrar credores. O objetivo aparentava manter a operação com base no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O que se sabe até agora envolve uma rede de instituições e pessoas ligadas ao Master, com operações que teriam vultosas movimentações entre fundos de investimento e empresas de fachada. A avaliação é de que o conglomerado chegou a inflar ativos para sustentar pagamentos.
Quem está envolvido inclui o próprio Vorcaro, ex-presidente do banco, além de gestores de fundos investigados pelo BC e pela PF. O BC sustenta que o modelo dependia de receitas mantidas por meio de CDBs e de operação com fundos ligados a terceiros.
Quando chegaram as primeiras sinalizações de problemas de caixa, entre 2023 e 2024, o Master passou a financiar-se por meio de estruturas complexas. A PF apura se houve emissão de novos CDBs para pagar credores antigos, prática associada a pirâmide financeira em análise.
Onde o dinheiro circulava envolve fundos da Reag Investimentos, hoje CBSF Distribuidora, e operações com carteiras do extinto Besc. Investigadores indicam que ativos foram inflados ao fazerem valer valores acima da realidade.
A narrativa de supostos créditos falsos vendidos ao BRB ganhou fôlego na apuração. O Master teria adquirido e revendido direitos creditórios sem coobrigação, transferindo o risco para quem comprou os papéis. Em seguida, tais operações teriam sido repassadas a outros agentes.
Por meio de verificações, o BC apontou indícios de que as operações entre Master e Tirreno, depois cedidas ao BRB, apresentaram atipicidades que sugerem engenharia contábil para viabilizar captação junto ao BRB. A tirreno exibia irregularidades de registro.
A PF aponta que a Tirreno transferiu operações de crédito consignado de associações de servidores a valores expressivos, sem a devida formalização. Em 2024, houve novas aquisições sem pagamento efetivo, com posterior venda de carteiras ao BRB por valores superiores.
A coalizão de autoridades reconhece que o montante pago pelo BRB não foi integralmente repassado à Tirreno, levantando dúvidas sobre a real transferência de ativos. A avaliação aponta que as chamadas carteiras foram fraudadas, com possíveis títulos podres.
Vorcaro afirma à PF que não pagou qualquer valor à Tirreno e sustenta que a operação não chegou a ocorrer, estando interrompida antes de finalização. Questiona-se, porém, como os recursos do BRB foram empregados.
O caso segue sob apuração da CPI do INSS, entre outros desdobramentos. Diretores afastados do BRB indicaram potenciais prejuízos de até bilhões de reais, dependendo dos desdobramentos das investigações.
Entre na conversa da comunidade