- em 30 de janeiro de 2026, o bitcoin caiu para cerca de 77 mil a 78 mil dólares, acompanhando a queda de ativos tradicionais.
- o cobre recuou quase 4% após ter atingido recorde acima de 14,5 mil dólares por tonelada, chegando a aproximadamente 5,92 dólares por libra.
- a proximidade entre as trajetórias dos dois ativos reforça a visão de que o bitcoin atua cada vez mais como um ativo de risco macro, reagindo a indicadores econômicos.
- fatores como tensões geopolíticas, possíveis tarifas, demanda chinesa e decisões do Federal Reserve ajudam a explicar a volatilidade e o movimento conjunto.
- mesmo com essa correlação, especialistas alertam que a relação entre bitcoin e cobre pode variar conforme o cenário macro, com liquidações significativas em mercados tokenizados de metais e em ETFs de bitcoin.
Bitcoin e cobre caíram juntos em 30 de janeiro de 2026, após atingirem picos recentes, reforçando a correlação entre a criptomoeda e indicadores macro. A queda do BTC foi abaixo de 78 mil dólares, com metais básicos também em baixa, incluindo cobre, ouro, prata e platina.
O recuo sincronizado indica que o Bitcoin está cada vez mais se comportando como um ativo de risco macro, movendo-se conforme sinais tradicionais da economia durante períodos de incerteza. O cobre, conhecido como Dr. Copper, vive volatilidade acentuada nos últimos dias.
O cobre caiu quase 4% após chegar a recordes acima de 14 mil 500 dólares por tonelada horas antes, enquanto o Bitcoin recuou de máximas de outubro de 2025, ao redor de 126 mil dólares, para níveis próximos de 77 mil a 78 mil. A diferença de índices reflete o mesmo pano de fundo macro.
O que sustenta o cobre como indicador
A visão do cobre como termômetro da atividade industrial vem da sua ampla aplicação, de construção a veículos elétricos e data centers de IA. A JPMorgan projeta demanda por cobre em data centers chegando a 475 mil toneladas em 2026, impulsionada por infraestrutura de IA.
Mesmo com esse viés de longo prazo, a recente volatilidade mostra como temerosos os agentes do mercado podem dominar a demanda real em momentos de crise. Vasily Shilov, da SwapSpace, aponta tensões geopolíticas como motor principal da volatilidade, citando questões com Irã e pressões comerciais.
A correlação Bitcoin-cobre em evolução
Estudos anteriores mostraram que, em determinados momentos, Bitcoin se comportou como uma commodity de risco. Em dezembro de 2022, a correlação entre Bitcoin e cobre chegou a 0,84. Já no fim de 2025, a relação passou por quedas, com o cobre crescendo enquanto o Bitcoin recuou.
Analistas acompanham a relação pela razão cobre-ouro como indicador de movimentos do Bitcoin. Contudo, o cenário recente mostrou que essa associação pode se romper em ciclos de mercado, especialmente durante fases de aversão a risco.
Dinâmica atual do mercado
Em 30 de janeiro, a liquidação sincronizada sinalizou que tanto cobre quanto Bitcoin respondem a gatilhos comuns, como mudanças de política comercial, frieza da demanda chinesa e estoques dos EUA. Dados de exchanges apontam menor fluxo de capital para BTC, sugerindo demanda fraca em vez de pânico.
Investidores institucionais também refletem esse tom. Relatórios indicam que o preço médio de entrada de ETFs de Bitcoin nos EUA está próximo de 87 mil dólares, bem acima do preço atual. Saídas de ativos seguem em volume relevante, evidenciando melhoria de sentimento.
Notas finais sobre o cenário
Apesar da correlação, não se recomenda usar cobre como ferramenta de previsão de Bitcoin. Fatores específicos de mineração e produção de cobre influenciam o metal sem relação direta com a demanda por criptomoedas. Estudos indicam que essas relações variam conforme o regime de mercado.
No momento, Bitcoin parece menos associado ao rótulo de “ouro digital” e mais ao conceito de “cobre digital”, reagindo a apetite de risco e crescimento econômico. A direção futura depende de sinais macro adicionais e da recuperação do apetite por ativos de risco.
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