- Em 2025, 20 estatais apresentaram déficit agregado de 5,1 bilhões de reais pelo Banco Central, enquanto a visão da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais aponta 16 lucros somando 3,8 bilhões e investimentos de 5,1 bilhões; danos aos cofres públicos aparecem pelos dividends de 1,6 bilhão.
- A divergência entre contabilidade empresarial e contabilidade pública explica parte da diferença: investimentos são tratados como despesa e dividendos como gasto na lógica pública, enquanto, na privada, são vistos de outra forma.
- Os Correios tiveram prejuízo de 6 bilhões nos nove meses de 2025 pela contabilidade privada, mas o BC registra déficit de 1 bilhão; já a Emgeprom teve lucro de 254 milhões pela contabilidade privada e déficit de 2,7 bilhões nos números públicos.
- O Ministério da Gestão defende avaliar as estatais pela missão de cada empresa, destacando que governança pública pode conviver com lucratividade e com políticas públicas.
- Das 44 estatais federais, 39 registraram lucro de 136 bilhões de reais nos primeiros nove meses de 2025, com investimentos de 86 bilhões de reais, 22% acima de 2024.
O Ministério da Gestão e da Inovação Pública aponta que a forma de contabilizar investimentos e dividendos pode indicar déficits em estatais mesmo quando há lucro. O debate envolve divergência entre contabilidade empresarial privada e estatística fiscal do setor público.
Dados oficiais mostram que, em 2025, 20 estatais apresentaram déficit agregado de 5,1 bilhões de reais segundo o BC, com prejuízo operacional de 2,2 bilhões entre janeiro e setembro, afetado principalmente pelos Correios.
Já a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) registra que dessas 20 empresas, 16 tiveram lucro de 3,8 bilhões no mesmo período em que os investimentos somaram 5,1 bilhões. Os dividendos pagos ao governo atingiram 1,6 bilhão.
A contradição entre as informações se deve ao tratamento contábil: na contabilidade privada, o investimento é parcelado no tempo e o dividendo é sinal de saúde. No cálculo fiscal público, investimento é despesa lançada de uma vez, e dividendos são gastos.
Para ilustrar, os Correios aparecem como exemplo emblemático: pela contabilidade privada, houve prejuízo de 6 bilhões nos primeiros nove meses de 2025; no BC, o déficit registrado foi de 1 bilhão. Emgeprom, estatal naval, teve lucro de 254 milhões na contabilidade privada, mas déficit de 2,7 bilhões segundo as estatísticas públicas.
Elisa Leonel, chefe da Sest, afirma que, se considerar a regra empresarial, as estatais são lucrativas. Ela defende que o Brasil adote uma visão internacional que reconhece o papel estratégico de estatais, inclusive em exercícios de longo prazo.
O relatório de 2023 do Banco Mundial aponta três razões para o crescimento de estatais no mundo: geopolítica, transição energética e cadeias produtivas estratégicas. Casos de governos buscando participação em empresas de tecnologia e commodities ganham relevância global.
No Brasil, há debates sobre segmentar estatais entre aquelas ligadas a serviços essenciais com função social e aquelas com foco em retorno financeiro. A ideia é tratar cada grupo sob critérios distintos de avaliação e metas públicas.
Ainda sem relação direta com balanços, o governo federal destaca que o terreno internacional já não aceita a visão de ineficiência generalizada das estatais. A tendência é reconhecer benefícios de longo prazo de atuação estatal na política pública.
Entre os exemplos locais, a Petrobras figura como uma máquina de lucro e dividendos, enquanto a Hemobrás atua em biotecnologia com objetivo social. A Petrobras apontou lucro elevado no acumulado até setembro de 2025, e a Hemobrás teve resultados menos expressivos pela contabilidade pública.
No exterior, há casos em que governos utilizam mecanismos como a golden share para influenciar decisões estratégicas de companhias consideradas estatais, mesmo com participação minoritária. A discussão internacional amplia o conceito de o que é estatal.
Ao final do levantamento, o Ministério da Gestão aponta que, com 39 estatais federais acompanhadas, o lucro agregado nos primeiros nove meses de 2025 foi de 136 bilhões, 22% acima de 2024. Os investimentos somaram 86 bilhões, alta de 34%.
Segundo a gestão pública, executar política pública não é incompatível com lucros consideráveis. A intenção é manter o papel estatal sem abrir mão de resultados financeiros positivos, em linha com discussões internacionais.
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