- O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirma que Angra 3 pode empurrar a estatal a um colapso semelhante ao dos Correios, comprometendo Angra 1 e Angra 2.
- Caporal diz que a obra consome um bilhão de reais ao ano do dinheiro arrecadado pelas usinas vizinhas, sendo 80% em dívidas bancárias e 20% em manutenção de equipamentos.
- A obra de Angra 3 está arrastada há cerca de quarenta anos e está paralisada desde a Operação Lava Jato, sem fonte de recurso para cobrir esse custo.
- A Eletronuclear pode se tornar inadimplente em até três meses, o que permitiria cobranças antecipadas e colocaria Angra 1 e Angra 2 em risco de operação.
- O projeto Angra 3 tem avanço físico de cerca de 67%, com mais de 14 mil equipamentos entregues; a empresa defende a conclusão mesmo diante do custo, desde que haja suporte financeiro.
O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, alertou que as obras paralisadas da usina Angra 3 podem levar a estatal a uma crise semelhante à vivida pelos Correios, afetando também Angra 1 e Angra 2. A construção consome 1 bilhão de reais por ano de recursos das geradoras vizinhas.
Caporal, que atua ainda como diretor financeiro, detalhou que Angra 3 funciona com atraso de cerca de 40 anos e está sem andamento desde a operação Lava Jato. Segundo ele, o projeto absorve 80% do valor anual arrecadado pela empresa por meio de dívidas e 20% em manutenção de equipamentos já adquiridos, sem fonte suficiente de recurso.
A Eletronuclear ainda não depende do Tesouro, mas pode seguir o caminho de empresas estatais que enfrentam dificuldades para honrar dívidas. Caporal avaliou que o atraso pode deteriorar a situação financeira e abrir espaço para cobranças antecipadas por parte de bancos, comprometendo Angra 1 e Angra 2.
Situação da Angra 3
O executivo afirma que a demora aumenta o risco de inadimplência em até três meses, o que pode gerar impactos operacionais. A bancada de credores, incluindo Caixa e BNDES, tem resistido a suspender pagamentos sem um acordo de reestruturação.
Caporal sugeriu a possibilidade de obter um waiver parcial das dívidas, caso o governo não tenha condições de decidir pela solução definitiva. Ele ressaltou que não há como sustentar despesas de 800 milhões sem uma fonte de recurso específica.
Avanços e desafios do projeto
Apesar das dificuldades, Caporal destacou o progresso físico de Angra 3, com cerca de 67% de conclusão e mais de 14 mil equipamentos já entregues. Ele informou que, se houver continuidade, o custo anual de 1 bilhão deveria permanecer contido pela garantia de recursos dedicados ao projeto.
Fim de ano passado, Caporal afirmou que a Eletronuclear possuía empréstimos de 7 bilhões de reais com bancos públicos e indicou a necessidade de suspender temporariamente a cobrança da dívida. Não houve confirmação de uso do Tesouro Nacional para cobrir as contas.
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