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Chile se prepara para defender seu mercado de vinhos no Brasil

Chile vê acordo UE-Mercosul como alerta; aposta em marca para manter espaço no Brasil diante de vinhos europeus a preço competitivo

Daniel Buarque
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  • O Chile, principal fornecedor de vinhos para o Brasil, observa com cautela a implementação do acordo Mercosul–União Europeia e a possível queda de impostos para vinícolas da UE.
  • Executivos chilenos destacam que os efeitos devem levar tempo para chegar ao varejo e que a competição não se resume a preço, envolvendo confiança de marca.
  • No curto prazo, não haverá mudanças significativas; o setor aposta em fortalecer a presença de marcas chilenas e comunicar histórias de terroir.
  • A Concha y Toro apresenta crescimento expressivo no Brasil, com recorde de vendas em 2025 (mais de 2,5 milhões de caixas) e participação de mercado ganhando quase um ponto percentual.
  • A estratégia inclui consolidar marcas como Casillero del Diablo e Don Melchor, priorizando fidelidade de consumidor e percepção de qualidade para enfrentar eventuais rótulos europeus.

Representantes do Chile, maior fornecedor de vinhos ao Brasil, acompanham com cautela a possibilidade de maior competição europeia no varejo brasileiro devido ao acordo entre Mercosul e União Europeia. Analistas destacam que efeitos podem demorar a chegar e não se resumem a preço.

Para a Concha y Toro, líder no Brasil, o cenário é visto com serenidade. O country manager Pietro Capuzzi afirma que a empresa está acostumada a atuar em ambientes com tarifas e em mercados abertos, contando com presença consolidada em mais de 140 países.

Executivos da Wines of Chile North America, que representa a indústria chilena, reiteram que o tema depende de tramitação institucional e jurídico no Parlamento Europeu, o que tende a postergar impactos comerciais imediatos. Eles não esperam mudanças significativas neste ano.

No curto prazo, o setor indica que a disputa pode privilegiar marcas já consolidadas no Brasil, com foco em manter valor da categoria. Para Capuzzi, descontos europeus não devem derrubar fortemente marcas históricas brasileiras.

O Chile aposta em fortalecer a narrativa de suas marcas no Brasil, visando manter relevância diante de uma possível elevação da competição por preço. Julio Alonso Ducci ressalta o esforço para consolidar uma imagem de vinhos finos com valor percebido estável.

Ambas entidades destacam que o consumo brasileiro ainda tem espaço para crescer e que ações de marca podem ampliar a base de consumidores. A estratégia inclui reforçar o portfólio com rótulos parecidos com o gosto local, sem abrir mão da identidade chilena.

Capuzzi aponta que o Brasil é prioridade e que o trabalho da Concha y Toro visa construir uma categoria sólida, com foco em ocasiões de consumo diversas. Ele também enfatiza que a empresa busca manter a confiança do consumidor.

No Brasil, a Concha y Toro tem demonstrado crescimento expressivo. Capuzzi afirma que 2025 foi histórico, com mais de 2,5 milhões de caixas vendidas, superando 30 milhões de garrafas no mercado brasileiro e ganho de participação.

A empresa investe em linhas como Casillero del Diablo e Don Melchor, buscando ampliar qualidade percebida e reduzir vulnerabilidade frente eventuais pressões de preço. Don Melchor é destacado como símbolo de reposicionamento frente aos vinhos europeus.

O objetivo é manter o Brasil como principal mercado da região e, ao mesmo tempo, ampliar a presença de rótulos que contam histórias de terroir e de pessoas do Chile, fortalecendo a marca sem depender de descontos agressivos.

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