- BYD perdeu cerca de US$ 60 bilhões de valor de mercado desde maio, com ações em Hong Kong caindo após dados de emplacamentos fracos.
- As entregas domésticas da BYD em janeiro caíram pela metade em relação ao mesmo período do ano passado, para 109.569 unidades.
- O setor enfrenta queda da demanda na China e aumento dos custos de matérias-primas (lítio, cobre, alumínio e chips), reduzindo margens.
- O Morgan Stanley espera queda de 30% a 40% nos volumes no primeiro trimestre para a maioria das montadoras locais; ações de veículos elétricos seguem sob pressão.
- Apesar de sinais positivos de exportação e avanços em IA e robôs, analistas recomendam cautela, com BYD cotada em cerca de 16 vezes as estimativas de lucro futuras.
A BYD sofreu uma queda expressiva no valor de mercado, com perdas de mais de US$ 60 bilhões desde maio. A queda recente ocorreu após dados de emplacamentos abaixo do esperado, ampliando a venda de ações da líder global de carros elétricos. O movimento impacta não apenas a BYD, mas seus pares no setor.
Investidores passaram a questionar as margens diante do aumento dos custos de matérias-primas e da demanda doméstica mais fraca na China. A pressão vem antes da temporada de resultados, em meio a subsídios reduzidos e a cautela com impactos da inflação de insumos. O sentimento é de maior aversão ao risco entre bancos de investimento.
A BYD e outras montadoras enfrentam custos crescentes com lithium, cobre e alumínio, além de uma oferta limitada de chips. Analistas apontam que o preço adicional por veículo pode chegar a cerca de US$ 1.000, pressionando margens em modelos premium. A deterioração da demanda surpreendeu parte do mercado.
Apesar disso, as exportações seguem como ponto positivo para o setor chinês, que ainda depende fortemente do mercado doméstico competitivo. A Moody’s e outras casas destacam riscos diferentes, enquanto investidores avaliam se as companhias conseguem repassar custos aos consumidores.
Alguns sinais de melhoria surgem do lado político e tecnológico. Avanços nas relações comerciais com Canadá e União Europeia fortalecem o cenário de exportações. Montadoras também exploram IA, robótica e robotaxis para novas frentes de atuação.
O mercado local tenta equilibrar expectativas. Dados indicam que a maioria das montadoras locais pode ter quedas de 30% a 40% nos volumes do primeiro trimestre, segundo projeções de bancos de investimento. A BYD aparece entre as empresas com alguma resiliência por conta do abastecimento interno.
No curto prazo, operam recomendações mistas entre investidores institucionais. A BYD está cotada a cerca de 16 vezes as estimativas de lucro futuro, abaixo da média de três anos, mas ainda sugerem cautela entre gestores. O cenário permanece desafiador para o setor.
Perspectivas e próximos passos
As próximas semanas devem trazer resultados que ajudem a esclarecer margens e capacidade de repasse de custos. Enquanto isso, o mercado observa a evolução de contratos de fornecimento e de novas tecnologias que podem sustentar o crescimento. O foco continua na China e na evolução global do segmento de veículos elétricos.
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