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Como bilionários pró-MAGA confiaram na mão de obra mexicana

Ex-funcionário da Uline relata programa de deslocamento de trabalhadores mexicanos aos EUA, com salários baixos e lesões não atendidas

Vice-President JD Vance at a Uline warehouse in Lower Macungie township, Pennsylvania, delivers a speech on the economy on 16 December 2025.
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  • A Guardian revelou que a Uline mantinha um “programa de shuttle” que trazia trabalhadores do México para armazéns na Flórida, Wisconsin e Pensilvânia, usando vistos de treinamento para funções regulares.
  • O ex-funcionário Christian Valenzuela afirma ter feito pelo menos cinco viagens a partir de 2022, recebendo salário mexicano, bônus e acomodação, com jornadas descritas como parte de treinamento.
  • Segundo Valenzuela, houve discriminação: os mexicanos recebiam as tarefas mais pesadas e, ao treinar em novas máquinas, recebiam horas extras que não eram dadas aos trabalhadores americanos.
  • Em 6 de junho de 2023, Valenzuela sofreu acidente de forklift em Wisconsin, ficou permanentemente incapacitado e, após diagnóstico, precisou de cirurgia; ele diz ter sido instruído a voltar ao trabalho antes de estar apto.
  • Após o acidente, houve pressão para assinar rescisão; a seguradora negou benefícios no Wisconsin e Valenzuela afirma que o contrato foi cancelado sem aviso. A Uline não respondeu aos questionamentos da Guardian.

O jornalismo acompanha relatos sobre práticas de emprego envolvendo a empresa Uline, no contexto de debates sobre imigração e empregos nos EUA. Um ex-funcionário mexicano, Christian Valenzuela, revelou detalhes do que chamou de programa de shuttle, utilizado pela empresa para deslocar trabalhadores do México a polos de distribuição nos EUA.

Valenzuela, 42, afirma ter participado do programa entre 2022 e 2023, atuando em instalações da Uline na Pensilvânia, Flórida e Wisconsin. Segundo ele, os trabalhadores vinham com vistos de treinamento, mas exerciam funções de escala normal nas operações. A empresa não comentou o assunto.

O relato descreve que a remuneração dos trabalhadores mexicanos era menor do que a dos colegas norte‑americanos, mesmo quando realizavam atividades equivalentes. Segundo Valenzuela, a Uline oferecia bônus, ajuda de custo e acomodação, mas mantinha salários significativamente mais baixos.

Implicações do programa teriam surgido em meio a tensões sobre imigração e mão de obra. Em Allentown, na Pensilvânia, o ex‑funcionário teria testemunhado uma divisão de tarefas, com trabalhadores mexicanos recebendo tarefas mais pesadas. A narrativa sugere discriminação de função e pagamento.

Em 6 de junho de 2023, Valenzuela sofreu acidente com um operador de empilhadeira na unidade da Uline na Wisconsin. Ele relata forte impacto e dor intensa, sendo encaminhado para atendimento médico sem raio‑X feito na ocasião.

Após o acidente, o médico orientou descanso, mas houve pressão para retornar ao trabalho com tarefas leves. Alega que recebeu sinais contraditórios sobre a recuperação, com mudança de notas médicas para permitir o retorno.

Valenzuela passou por tratamento adicional no México e, depois, por cirurgia para hérnia de disco. Ele afirma continuar com dor, fraqueza e redução de sensibilidade na perna esquerda, além de depender de medicação e fisioterapia.

O ex‑funcionário afirma ter recebido propostas de resignação por parte da empresa, ainda que precisasse do emprego para custear a recuperação. Segundo ele, uma seguradora ligada à Uline negou benefícios adicionais relacionados ao caso no Wisconsin.

A reportagem aponta que a Uline não respondeu a perguntas detalhadas sobre o programa de shuttle. Em notas anteriores, a empresa não confirmou nem negou o uso do esquema, mantendo posição de não comentar.

Um segundo ex‑colaborador, também americano, confirmou a divisão de tarefas em favor dos trabalhadores mexicanos, mencionando jornadas de trabalho estendidas para treinar novas máquinas, sem benefícios proporcionais aos demais.

Além do relato individual, o material revisado indica que os trabalhadores mexicanos teriam recebido salários inferiores aos diretos equivalentes nos EUA, conforme informações já reportadas pela imprensa. A organização envolvida não divulgou dados oficiais.

O tema envolve políticas de imigração, condições de trabalho e responsabilidade corporativa. A história recente levanta questões sobre a aplicação prática de programas de mobilidade laboral em grandes empresas privadas, sob escrutínio público.

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