- O investimento em IA nos EUA deve alcançar 650 bilhões de dólares neste ano, principalmente em infraestrutura de data centers.
- Esse gasto representa cerca de dois por cento do PIB, situando-se próximo a fases de antigas bolhas tecnológicas, em termos de magnitude.
- Os efeitos incluiriam construção de centros de dados, expansão de infraestrutura associada e impactos regionais, como em Virgínia e no Vale do Silício.
- O mercado já registra quedas em ações de IA e dúvidas sobre como esses gastos se traduzirão em lucro para as empresas.
- Analistas discutem se isso configura uma bolha econômica, com diferentes tipos possíveis e consequências para a economia dos EUA.
O investimento em inteligência artificial nos EUA pode alcançar 650 bilhões de dólares neste ano, principalmente em infraestrutura de data centers. Empresas apostam que a demanda por serviços de IA está em um ponto de inflexão, mas o ritmo de gasto levanta questões macroeconômicas.
O valor representa cerca de 2% do PIB americano, segundo comparação feita por analistas. Embora ainda não tenha alcançado os níveis de épocas históricas de grandes obras, o montante sinaliza um impulso relevante para a economia.
Essa pauta é discutida em entrevista publicada pela jornalista Cameron Abadi com o economista Adam Tooze. A conversa compila análises sobre o efeito fiscal do investimento privado financiado por crédito e liquidez corporativa.
A projeção de gasto pode agir como estímulo exógeno, segundo Tooze, elevando a atividade com efeito multiplicador. Internamente, o efeito ocorre, em parte, pela construção de infraestrutura e pela demanda local por serviços.
Os impactos já aparecem na construção de tecnologias, com maior procura por turbinas a gás e energia para data centers. Em contrapartida, sinais de produtividade ainda não se consolidaram em dados macro.
No mercado, há temores sobre a rentabilidade futura de grandes nomes do setor. Relatórios indicam recompras de ativos e quedas na avaliação de ações ligadas a IA, à medida que o gigantismo de gasto é digerido pelo mercado.
O economista aponta três tipos de possível “bolha”: a de uso limitado, como a tecnóloga de alcance duvidoso; a similar às ferrovias históricas; ou a que transforma o mundo, mas não gera retorno financeiro imediato suficiente. O cenário pode variar conforme a evolução econômica.
Além disso, Tooze descreve a ideia de uma economia em formato de K: o setor de tecnologia pode impulsionar, enquanto o restante do país não cresce na mesma velocidade. Esse desequilíbrio pode sustentar ou conter o efeito da bolha, dependendo de fatores macro.
O conjunto de fatores envolve também efeitos de importação, com chips vindos de fora e impactos indiretos na cadeia produtiva local. A conversa enfatiza a necessidade de observar dados ao longo do tempo para entender o real peso de IA no crescimento.
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