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Risco sistêmico frente à fraude: estudo analisa impactos e prevenção

Fraude em bancos alimentou a mania especulativa, com emissão de novas ações para sustentar dividendos, ampliando o risco sistêmico

Abalos. Karl Marx, então colunista do New York Daily Tribune, denunciou em 1856 o escândalo do Royal British Bank, uma espécie de Banco Master da época – Imagem: John Jabez E. Mayall e Rovena Rosa/Agência Brasil
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  • Entrevista fictícia com Karl Marx sobre o Royal British Bank, em 1856, relacionando especulação, alavancagem e fraude sistêmica no sistema financeiro.
  • Diretores acumulavam prejuízos anuais e pagavam dividendos aos acionistas com demonstrações financeiras fraudulentas; emissão de novas ações servia para alimentar fraudes, não para salvar a instituição.
  • Havia dois grupos de diretores: um que recebia salário e não entendia dos negócios, e outro que saqueava a instituição, mantendo secreto o auditor e o advogado, com laranjas para embolsar adiantamentos.
  • Relação com uma siderúrgia galêsa, envolvendo adiantamentos que chegaram a dezenas de milhares de libras, retorno da siderúrgia ao banco e dívida adicional, com prejuízo para acionistas.
  • Marx afirma que a ganância é o fundamento da crise: dinheiro e especulação se fortalecem mutuamente, e a fraude seria uma extensão desse arranjo; especialistas veem o mercado como separado da economia real.

O texto examina a relação entre risco sistêmico, fraude e especulação no contexto financeiro europeu, tomando como base um diálogo ficcional com Karl Marx sobre o Royal British Bank, em 1856. O objetivo é apresentar como a ganância opera na estrutura financeira e na gestão de bancos.

Segundo o artigo, a fraude no Royal British Bank seria um marco para entender a crise que abalava a Europa na época. O autor aponta que a fraude se manifesta quando diretores manipulam demonstrações e elevam dividendos para manter a aparência de prosperidade.

A entrevista fictícia descreve como o banco acumulava prejuízos anuais, de cerca de 50 mil libras, mesmo assim anunciando resultados positivos aos acionistas. Emissões de novas ações serviam para financiar fraudes, não para solventar a instituição.

Marx detalha a existência de dois grupos de diretores: um mais complacente com salários altos e outro que, embora interessado no banco, atuava como comprador de favor para si e para aliados. Auditor e advogado recebiam subornos, fortalecendo o esquema.

O texto destaca casos de empréstimos questionáveis, ligações com indústrias e operações com laranjas. Entre transações, há referência a uma siderúrgia galêsa que recebeu adiantamentos elevados quando o capital da companhia era baixo.

Conforme os relatos, ao tornar a siderúrgia viável, a empresa foi devolvida ao banco, mas deixou uma dívida adicional. Em vez de reduzir custos, a gestão utilizava mecanismos para inflar ativos, repetindo a prática até enfrentar a crise.

O artigo conclui que o fenômeno não é isolado, traçando um nexo entre dinheiro e ganância. A visão apresentada sustenta que a fraude seria uma extensão da relação entre especulação e alavancagem no sistema financeiro.

Publicado na edição 1401 de CartaCapital, em 25 de fevereiro de 2026, o texto traz a perspectiva de especialistas sobre o papel do mercado financeiro na produção econômica e na crise sistêmica. A reportagem evita conclusões e mantém o foco em fatos e dados históricos.

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