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Liquidação do Banco Pleno reacende vínculo entre Master e o PT da Bahia

Liquidação do Banco Pleno reacende foco sobre ligações do Master com o PT na Bahia, ampliando investigações sobre crédito consignado

O senador Jacques Wagner (PT-BA) nega ligação com fraudes do Banco Pleno (Foto: Gustavo Bezerra/ Senado)
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  • A liquidação do Banco Pleno reacende o foco no crédito consignado ligado ao Banco Master e às investigações envolvendo autoridades da Bahia.
  • O Credcesta, cartão consignado para servidores baianos, nasceu durante a gestão baiana e foi estruturado com a participação de Augusto Lima e Daniel Vorcaro, tendo o Decreto 18.353 aumentado a rentabilidade do negócio.
  • A CPI do INSS já convocou Lima e Vorcaro, com pedidos de quebra de sigilos; a divulgação de dados sigilosos do banco à comissão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
  • O Master e o Pleno enfrentaram crises que levaram à deflagração da Operação Compliance Zero; Vorcaro e Lima estão em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
  • O Fundo Garantidor de Créditos deve pagar cerca de R$ 40,6 bilhões aos credores do Master e R$ 4,9 bilhões aos do Pleno, prevendo-se impacto significativo no patrimônio do fundo.

O Banco Pleno, ligado ao empresário Augusto “Guga” Lima, teve nova liquidação decretada pelo Banco Central. A medida reacende o foco sobre o sistema de crédito consignado que impulsionou o grupo Master, de interesse público pela participação de figuras políticas e por decisões administrativas de governos do PT na Bahia.

O caso envolve ainda o ex-sócio do Master, Daniel Vorcaro, e a operação Credcesta, cartão consignado voltado a servidores baianos. A liquidação ocorre enquanto Lima acumula sete requerimentos na CPI do INSS para depoimento e quebras de sigilo, ainda em análise pela comissão.

A história remonta ao governo de Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, quando se estruturou o Credcesta em 2018. Em 2019, Lima levou o Credcesta ao Banco Master ao se associar com Vorcaro, por meio do Banco Voiter, posteriormente renomeado Banco Pleno.

Credcesta: a origem dos consignados

O Credcesta envolve pedidos de quebra de sigilos da empresa ligada à rede de mercados Cesta do Povo, controlada pela Ebal. Em 2017 e 2018, leilões visaram vender a estatal, que operou com cartão consignado para cerca de 400 mil servidores. Wagner, então secretário, negou irregularidades publicamente.

A rentabilidade do negócio passou por decreto que ampliou margens para o cartão consignado. O acordo com o Master ocorreu quando Lima precisou de um banco e fechou negócio por R$ 25 milhões para assumir 50% do Credcesta, com operação via Banco Voiter.

Ascensão e desdobramentos

Lima ampliou atuação do consignado para 24 estados e 176 municípios, com apoio de fundos e relações com gestoras de recursos. A autorização do BC, em 2025, ocorreu em prazo curto, em meio a turbulências no Master, investigado por fraudes em carteiras vendidas ao BRB.

A liquidação do Master, acompanhada de ações da CPI, levou à prisão temporária de Vorcaro e Lima, que hoje estão em prisão domiciliar com tornozeleira. A defesa no caso afirma que Lima já não exercia funções executivas desde 2024.

Modelo de negócio e riscos

Especialistas apontam que, mesmo com crédito consignado, o modelo dependia de CDBs com rentabilidade elevada. O uso do FGC como pilar comercial criou uma sensação de segurança não sustentável. Em meio à liquidação, o FGC deve pagar cerca de R$ 40,6 bilhões aos credores do Master e R$ 4,9 bilhões no Pleno.

O BC identificou inconsistências no conglomerado, mas a avaliação sobre a magnitude dos impactos segue em curso. A defesa aponta que a instituição não respondeu de forma adequada às falhas identificadas pelo regulador.

Reações e próximos passos

A CPI do INSS já solicitava depoimentos de Vorcaro e de Lima, com avanços na quebra de sigilos. O ministro Mendonça, do STF, flexibilizou a participação de Vorcaro. Além disso, a liberação de dados sigilosos à CPI foi celebrada por membros da comissão para fortalecer as investigações.

A reportagem não conseguiu ouvir o BC, Jaques Wagner ou Rui Costa até o fechamento desta edição. (editorial)

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