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UE acelera acordo com Mercosul apesar de resistência francesa

UE avança acordo com Mercosul; aplicação provisória pode começar dois meses após notificações, enquanto França critica e Parlamento pode atrasar a implementação total

Protesto de produtores franceses contra o acordo comercial com o Mercosul 20/01/2026
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  • A União Europeia aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul para obter a vantagem de pioneirismo, dois meses após notificação entre os blocos.
  • A medida acompanha a ratificação pela Argentina e pelo Uruguai; no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo e ele segue para o Senado.
  • A aplicação provisória pode ocorrer sem a aprovação final do Parlamento Europeu, que pode atrasar a entrada em vigor total em até dois anos após questionamento no tribunal superior da UE.
  • França, maior produtora agrícola da UE, tem resistido ao acordo, com o presidente Emmanuel Macron chamando a decisão de surpresa ruim.
  • O acordo pode eliminar cerca de quatro bilhões de euros em tarifas para exportações da UE, fortalecendo a posição econômica diante de EUA e China.

A União Europeia aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul para garantir que o bloco tenha o pioneirismo no benefício, afirmou a Comissão Europeia nesta sexta-feira. França classificou o movimento como uma “surpresa ruim”.

A aplicação provisória pode ocorrer dois meses após uma troca de notificações com os membros do Mercosul. Normalmente, a UE aguarda as aprovações do Parlamento Europeu e dos governos membros, mas o parlamento votou para contestar o acordo no tribunal superior, o que pode atrasar a ratificação.

A França, maior produtor agrícola da UE, tem sido forte opositor do acordo, temendo aumento de importações de carne bovina, açúcar e aves a preços baixos. Macron mencionou surpresa e frustração com o procedimento.

Interbev, associação francesa do setor, pediu aos eurodeputados que impediam a Comissão de contornar o debate democrático. Em janeiro, 21 países da UE apoiaram o acordo, com oposição de Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia; Bélgica se absteve.

Contexto e próximos passos

O acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai foi concluído em janeiro após anos de negociações e pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas para exportações da UE, tornando-se o maior acordo do bloco em reduções tarifárias potenciais.

Defensores na UE, como Alemanha e Espanha, veem o acordo como vital para compensar perdas com tarifas dos EUA e reduzir a dependência de minerais essenciais da China. A ratificação pela Argentina e pelo Uruguai ocorreu na quinta-feira; no Brasil, a Câmara aprovou o texto na quarta, agora seguirá para o Senado.

Progresso institucional

A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE avançará com a aplicação provisória assim que as notificações estejam completas, desde que os estados-membros estejam prontos. A assinatura final depende da conclusão do processo de ratificação.

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