- Homenagens do Dia da Mulher são comuns, mas especialistas dizem que ações simbólicas não resolvem as demandas estruturais no trabalho.
- Thaís Roque afirma que as mulheres pedem estruturas que sustentem crescimento real, não gestos pontuais.
- Quatro eixos passam a sintetizar as demandas: promoção com metas claras e avaliação estruturada; flexibilidade no modelo de trabalho para continuidade profissional; segurança psicológica com canais de denúncia e avaliação por resultados; políticas sobre maternidade, idade e retorno ao trabalho.
- Defende-se também o uso de metas públicas e indicadores mensuráveis para acompanhar promoção, diferença salarial e participação em cargos de liderança.
- Empresas que não revisarem estruturas internas podem ter dificuldade para atrair e reter talentos.
Às vésperas do Dia da Mulher, empresas intensificam campanhas de homenagem e eventos de reconhecimento. Especialistas afirmam que ações simbólicas não respondem às demandas estruturais das profissionais no mercado de trabalho.
Thaís Roque, estrategista de carreiras e especialista em Liderança e Capital Humano, sustenta que a pauta vai além de gestos pontuais. Para ela, as mulheres buscam estruturas que promovam crescimento real dentro das organizações.
Com base no trabalho com executivas, empreendedoras e lideranças em transição, Roque aponta quatro eixos centrais que resumem o que as profissionais desejam neste ciclo.
Promoção
A cobrança envolve critérios objetivos de crescimento. Muitas empresas defendem diversidade, mas mantêm processos de promoção e sucessão pouco transparentes. O teto de vidro evoluiu, mas o crescimento precisa de sistemas previsíveis e não depender apenas da autoconfiança individual. Metas claras, avaliações estruturadas e patrocínio executivo são citados como ferramentas para reduzir desigualdades internas.
Flexibilidade no mercado de trabalho
O modelo híbrido consolidou a discussão sobre permanência. Para muitas mulheres, a flexibilidade não é mais um benefício, mas uma condição de continuidade profissional. A presença física não pode ser associada automaticamente a comprometimento, evitando novas barreiras. Organizações que associam autonomia a resultados costumam melhorar retenção e produtividade.
Segurança psicológica nas empresas
O ambiente de trabalho é tema recorrente no Dia da Mulher 2026. Muitas profissionais relatam a necessidade de moderar postura para evitar rótulos. Esse esforço constante pode comprometer desempenho e inovação. Canais de denúncia eficazes, respeito em reuniões e avaliações por resultados são defendidos como pilares. Sucesso não deve conflitar com saúde mental.
Maternidade e idade
Entre os desafios, a maternidade ainda é associada a riscos corporativos em alguns contextos. Mulheres acima de 40 anos enfrentam questionamentos sobre atualização profissional. Políticas de licença parental para todos os gêneros, programas de retorno ao trabalho e inclusão etária aparecem como medidas concretas para ampliar a equidade.
Metas públicas
A especialista defende que o Dia da Mulher 2026 seja acompanhado de indicadores mensuráveis. Sem dados sobre promoção, diferença salarial e participação em cargos de liderança, a discussão vira narrativa. Transparência e metas públicas ajudam a alinhar discurso e prática, reconhecendo que resultados precisam ser comunicados e redes de influência construídas.
Segundo Roque, empresas que não revisarem estruturas internas terão dificuldade para atrair e reter talentos. A responsabilidade pela melhoria é compartilhada entre organizações, profissionais e outras partes interessadas.
Entre na conversa da comunidade