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Popularização da IA leva à falência de empresa de audiolivros

A IA popularizada reduz a demanda por narradores humanos em audiolivros, pressionando profissionais a mudar de setor e buscando proteções legais

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  • Jason Johnson, antigo apresentador de rádio, passou a narrar audiobooks em casa durante a pandemia e, em dois mil e vinte e dois, tornou-se narrador em tempo integral.
  • O crescimento dos audiolivros com inteligência artificial começou a impactar o mercado após a Apple lançar, em início de dois mil e vinte e três, um catálogo com IA narrada.
  • Plataformas como Spotify e Audible anunciaram venda de obras com IA, destacando que a tecnologia facilita traduções rápidas, mas a qualidade muitas vezes fica abaixo da narrativa humana.
  • Johnson reduziu projetos por conflitos com sua fé evangélica e, diante da competição com IA, buscou outras fontes de renda, como entregas e empregos temporários, encerrando o negócio de audiobooks em dois mil e vinte e quatro.
  • Sindicatos, como SAG-AFTRA, trabalham para proteger narradores humanos, incluindo propostas de legislação federal para proibir cópias digitais não autorizadas de voz e aparência.

A popularidade da inteligência artificial evidenciou mudanças dramáticas na indústria de audiolivros, levando ao afastamento de profissionais como Jason Johnson. O radialista de Ohio, que conduzia programações de música cristã aos domingos, foi furloughed durante a pandemia. Sem trabalho, ele buscou alternativas, inclusive narrar audiolivros a partir de casa.

Johnson montou um estúdio doméstico com microfone, isolamento sonoro e software de edição. Divulgou serviços pela própria página e pela plataforma Fiverr, atendendo a autores independentes, organizações cristãs e editoras. Em 2022, já trabalhava como narrador em tempo integral, cobrindo autobiografias, ficções, não ficção e títulos cristãos.

O avanço da IA gerou mudanças no mercado. Em início de 2023, Apple lançou um catálogo de audiolivros narrados por IA no aplicativo Books, o que popularizou o recurso. A disponibilidade gratuita acelerou a adesão de autores e reduziu a demanda por narradores humanos que, em geral, cobram valores superiores e levam semanas para concluir um título.

Impacto da IA na indústria de audiolivros

A competição com narradores humanos ficou mais acirrada. Narradores profissionais costumam exigir milhares de dólares e meses de produção, enquanto a IA oferece soluções rápidas, com custos menores ou zero. Johnson passou a aceitar menos projetos para evitar conflitos com sua fé evangélica, o que reduziu ainda mais a demanda por seus serviços.

Para complementar a renda, ele realizou entregas por apps de entrega e trabalhou com entregas pela própria van. Em 2024, decidiu abandonar o negócio de audiolivros e passou a lecionar ciências e educação especial em uma escola de Brooklyn, Nova York, exercendo a função em tempo integral e migrando para outras atividades.

A adoção de IA na indústria aumentou com a entrada de grandes plataformas. Spotify e Audible anunciaram planos de vender títulos narrados por IA, mesmo sem utilizarem IA em suas produções próprias. A Apple não comentou o caso. Empresas de tecnologia citam benefícios como tradução rápida e alcance internacional, com serviços de ElevenLabs oferecendo narrações em dezenas de idiomas.

Resposta e perspectivas

Especialistas destacam limitações da voz artificial, como entonação e nuances humanas ausentes. Pesquisadores apontam que vozes geradas podem ler itens com pouco contexto e não diferenciar falas entre narrador e personagem. A IA pode ampliar o acesso a conteúdos, mas é vista como produção secundária diante da narrativa humana.

Em resposta, sindicatos de narradores já buscaram proteção contratual. A SAG-AFTRA informou que cláusulas sobre uso de IA estão presentes em contratos de audiolivros e defende propostas de legislação federal para proibir replicação digital não autorizada da voz e da aparência de pessoas. A discussão envolve equilíbrio entre inovação e remuneração justa para profissionais.

Haleluya Hadero, editora de igreja negra na Christianity Today, reporta as mudanças vivenciadas por narradores e editoras diante da ascensão da IA, ressaltando que a evolução tecnológica pode transformar o mercado, mantendo, porém, a demanda por vocais humanos qualificados.

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