- Preços do cacau caíram cerca de setenta por cento em relação ao recorde de dois mil e vinte e quatro, rendendo inviáveis novos plantios a US$ três mil por tonelada métrica.
- Projeta-se que metade dos projetos de cacau em escala industrial no Brasil sejam cancelados, concentrados no Nordeste, com até setenta e cinco mil hectares de área adicional potencialmente afetados.
- O equivalente a quase cinco por cento da demanda global poderia deixar de ser atendido pelas novas plantações brasileiras, segundo estimativas da Czarnikow.
- Grandes players do setor, como as empresas Cargill e Barry Callebaut, vinham apoiando as fazendas, mas planos atuais estão sob avaliação ou suspensão, incluindo etapa envolvendo a NewAg Partners.
- Tensões no setor incluem bloqueio de estrada na Bahia, suspensão de importações da Costa do Marfim e queda de demanda por remédios para perda de peso, contribuindo para o ajuste de planos de expansão e produção no Brasil. Ainda assim, há perspectivas de crescimento gradual, com iniciativas de cooperação e reflorestamento em andamento.
O sonho brasileiro de desenvolver lavouras de cacau em escala ficou mais distante com a queda de preços. Produtores frearam novos plantios após recuo de 70% em relação ao recorde de 2024. O efeito é visto como pausa definitiva para investimentos em cacau industrial no Brasil.
Com preços atuais em torno de US$ 3.000 por tonelada, fazendeiros e analistas indicam que metade dos projetos pode ser cancelada. A região Nordeste concentra as iniciativas, que poderiam somar pelo menos 75.000 hectares de cultivo, suficiente para atender cerca de 5% da demanda mundial.
Especialistas ouvidos pela Reuters destacam que o rendimento não cobre custos de produção nem investimentos em irrigação e maquinário. Muitos planos, apoiados por grandes empresas do setor, passam por revisão ou suspensão.
A presença de grandes players como Cargill e Barry Callebaut era vista como motor para ampliar a oferta, reduzindo a dependência da África Ocidental, responsável por quase metade da produção global. Contexto de crise levou a mudanças no mercado.
Clima desfavorável, conflitos com o contrabando e custos elevados impulsionaram a alta de preços no passado. A recuperação da produção africana e o aumento de oferta em outras regiões contribuíram para a pressão de baixa no cacau brasileiro.
Atrasos e reavaliações vieram com a queda. Moises Schmidt, um dos maiores produtores do Nordeste, afirma que o preço corrente não cobre os custos de irrigação e manejo. Ele aponta que, se o mercado ficar abaixo de US$ 5.000, mais da metade dos projetos já estaria comprometida.
Outras iniciativas importantes também foram impactadas. O lote da NewAg Partners, que previa até 8.900 hectares, teve a suspensão confirmada por seus executivos, que preferem não comentar no momento. A Copa Investimentos avalia o caminho mais adequado para seus planos.
No Nordeste, algumas oportunidades permanecem. Em Salvador, a cooperativa Cooabriel mantém o desenvolvimento de uma iniciativa de menor escala com apoio de parceiros. Em São Paulo, projetos do governo estadual focados em reflorestamento com cacaueiros seguem em frente.
Em resumo, o ritmo do crescimento de cacau no Brasil é agora mais moderado. Analistas veem o restante do ano como etapa de observação e adaptação, com as plantações em escala ficando restritas a estratégias de diversificação em agroflorestas.
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