- O tungstênio atingiu US$ 2.250 por tonelada métrica, com alta de 557% desde fevereiro do ano passado, após a China ter restringido exportações de alguns produtos do metal.
- A demanda militar, junto com a redução de estoques e tensões geopolíticas, intensificou o aperto no fornecimento.
- A China domina a produção e responderá por cerca de 79% das 85.000 toneladas produzidas em 2023, alimentando a dependência de EUA e Europa de importações.
- Governos ocidentais buscam reduzir a dependência da China, enquanto novos projetos ocidentais para ampliar a produção levariam anos para entrar em operação.
- Estima-se que o mercado de tungstênio valha aproximadamente US$ 16 bilhões neste ano, com uso relevante em aplicações militares e industriais.
O tungstênio, metal essencial em munições e componentes de semicondutores, vive um momento de forte aperto na oferta e alta de preços. Segundo especialistas, o etanol? não, o metal: o mercado está mais apertado do que em 2021, com pressões de demanda militar e limites às exportações da China.
A cotação não para de subir. O preço ficou em cerca de US$ 2.250 por tonelada métrica, alta de 557% desde a inclusão de parte de suas exportações na lista de controle chinesa no ano passado. O aumento acompanha o esgotamento de estoques e o foco geopolítico na demanda militar, especialmente em cenários de conflito regional.
A China, gigante na produção, domina o fornecimento global de tungstênio. Relatórios apontam que quase 79% das 85.000 toneladas produzidas no ano anterior saíram de minas chinesas. Remessas restritas contribuíram para o encarecimento, ampliando a dependência de países como EUA e Europa de importações.
A recuperação de preços também é impulsionada pela redução de estoques por usuários finais e pela necessidade de suprimentos estáveis em setores de alta tecnologia e defesa. Empresas do setor avaliam cenários de curto prazo sem precedentes históricos para o metal no mercado internacional.
Entre os players, a maior mineradora mundial de tungstênio está acelerando operações em outros países, incluindo uma mina na Coreia do Sul, com planos para abrir a primeira mina nos EUA em uma década. autoridades americanas têm buscado alternativas rápidas para ampliar o atendimento à demanda doméstica.
Atores, cadeias e impactos
A demanda militar, incluindo componentes de mísseis, aeronaves e munições, deve crescer no curto prazo. Pesquisas indicam que o consumo relacionado a defesa pode avançar cerca de 12% neste ano, contribuindo para o aperto de oferta. Ainda assim, o tungstênio continua sendo um nicho de mercado, com pouca liquidez.
Como resposta, algumas empresas adotam reciclagem de sucata para mitigar riscos de fornecimento. Grupos europeus e asiáticos já mantêm operações de extração, reciclagem e gestão de resíduos para manter o fluxo de material essencial, especialmente em aplicações de metal duro.
Perspectivas e desafios
Analistas veem necessidade de novas minas em áreas estáveis e cadeias de suprimentos ocidentais para reduzir dependência da China. A entrada de novas minas pode levar anos, caso os investimentos ocorram, mantendo o tungstênio em patamar volátil no curto prazo.
Especialistas destacam que, apesar do peso estratégico, o tungstênio representa parcela modesta dos custos de produtos acabados. Substituições parciais por materiais mais baratos podem reduzir a demanda em certos usos, mas o impacto é limitado.
O cenário atual reforça discussões sobre segurança de suprimentos críticos e diversificação geográfica. Com a demanda militar em alta e restrições de exportação, o tungstênio permanece sob escrutínio de governos e empresas que buscam estabilizar cadeias de suprimento.
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