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Justiça suspende uso de terrenos como garantia de capitalização do BRB

Justiça suspende uso de terrenos públicos como garantia para capitalização do BRB, contestando lei distrital que autorizava captação de recursos

O Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública ligada ao governo do Distrito Federal. Foto: BRB/Divulgação
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  • O juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal, suspendeu a eficácia da lei que autorizava usar terrenos públicos como garantia para capitalizar o BRB.
  • O BRB enfrenta crise de liquidez após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em títulos do Banco Master que se mostraram fictícios, elevando a necessidade de capitalização do banco.
  • A lei sancionada pelo governador Ibaneis Rocha previa usar nove imóveis do governo e vender patrimônio de estatais para levantar até R$ 6,6 bilhões; a decisão susta esse tipo de operação.
  • A suspensão ocorreu em uma ação popular apresentada por membros do PSB, que alegam risco ao patrimônio público.
  • A negociação envolvendo o Master é alvo de investigação no STF, com ex-diretores do BRB investigados e o fundador do Master, Vorcaro, preso preventivamente.

O juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, da 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, concedeu liminar para suspender a reutilização de terrenos públicos como garantia na capitalização do BRB. A decisão, nesta segunda-feira 16, atendeu a ação popular iniciada por membros do PSB. O objetivo é interromper a medida até deliberação futura.

A crise de liquidez do BRB ganhou impulso após a compra de cerca de 12 bilhões de reais em títulos do Master, de Daniel Vorcaro, que se revelaram sem lastro. O rombo levou o banco a buscar aumento de capital para cumprir exigências regulatórias.

O governador Ibaneis Rocha sancionou uma lei emergencial para capitalizar o BRB, autorizando a utilização de nove imóveis do GDF como garantia para captar até 6,6 bilhões no mercado. A norma também autorizava a venda de patrimônio de outras estatais para o BRB.

A Justiça suspendeu a eficácia da lei, argumentando que não há clareza sobre como as operações atenderiam ao interesse público e que a decisão sobre instrumentos de capitalização seria privativa do BRB, não do poder distrital. A suspensão vale até novo estudo do juízo.

A decisão ocorreu no contexto de críticas à tramitação da lei. Deputados da oposição veem riscos ao patrimônio público e temem transferência de imóveis para fundos imobiliários operados pelo BRB.

Contexto: trajetória da crise e medidas adotadas

Imóveis do Distrito Federal passaram a figurar como garantia para captação, segundo a legislação aprovada pela Câmara Legislativa. Técnicos chegaram a recomendar cautela, mas a lei foi aprovada com votos favoráveis, 14 a 10.

Movimentos ambientais questionam a inclusão da Serrinha do Paranoá entre os terrenos para negociação, citando relevância ambiental. A polêmica acompanha a tentativa de capitalizar o BRB, ainda sob escrutínio público.

Investigação em curso

A compra dos títulos podres ocorreu ao redor das tratativas de aquisição do Master, que foi barrada pelo Banco Central. A operação é alvo de investigação da Polícia Federal e do STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.

Vorcaro permanece preso preventivamente desde 4 de março, determinado pelo STF, sob suspeita de crimes contra o sistema financeiro. Ex-diretores do BRB também são investigados no caso.

Fontes próximas ao processo mencionam que o tema envolve equilíbrio de patrimônio público, governança e responsabilidades administrativas. As investigações devem continuar para esclarecer responsabilidades.

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