- O Credit Guide identificou sinais de deterioração da Raízen já em agosto de 2025 e classificou o risco como Alto, que evoluiu para Muito Alto até o pedido de recuperação extrajudicial.
- Em março de 2026, a Raízen protocolou recuperação extrajudicial de R$ 65,1 bilhões, o que levou a S&P a rebaixar o rating para Selective Default.
- O monitoramento do Credit Guide usa vinte e oito indicadores de crédito, atualizados a cada resultado trimestral, consolidando informações em uma classificação automática de risco.
- Os spreads de mercado mostraram subida rápida: o spread da RAIZ13 subiu de 0,25% no primeiro trimestre de 2025 para 11,53% em fevereiro de 2026, antes de reagirem as agências de rating.
- A cronologia de ratings mostrou movimentos sucessivos: Moody’s abriu revisão em outubro de 2025; novembro, downgrade para Ba1; dezembro, S&P rebaixou para brA+; entre fevereiro e março de 2026, houve downgrades adicionais e o trigger que acionou a recuperação.
Em março de 2026, a Raízen protocolou a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, envolvendo R$ 65,1 bilhões em dívidas. A medida levou a agência S&P a rebaixar o rating da empresa para Selective Default. O Credit Guide já havia sinalizado o risco desde agosto de 2025, antes do mercado reagir.
O Monitoramento automatizado do Credit Guide, que reúne 28 indicadores de crédito por emissor, mostrou deterioração acelerada de fundamentos da Raízen. Em 13 de agosto de 2025, a classificação já era Risco Alto; após o 1T2026, com alavancagem acima de 5x e prejuízo de R$ 1,8 bilhão, foi para Risco Muito Alto.
A contabilidade automática de fluxo de caixa e o acompanhamento de spreads permitiram ver a transição em tempo real. O fluxo de caixa livre desalavancado passou de geração positiva de R$ 6,2 bilhões (4T2024) para queima de R$ 10,2 bilhões no 1T2026, sinalizando deterioração elétrica de caixa.
Sinais e cronologia de rating
O levantamento mostra a cronologia de rating da Raízen entre outubro de 2025 e março de 2026: Moody’s rebaixou para Ba1 em nov/2025, S&P para brA+, em dez/2025; triplo downgrade de fev/2026 incluiu CCC/CCaa, com o spread atingindo 11,53%. Em 10/03/2026, Moody’s rebaixou para Caa3 e acionou os triggers, levando à recuperação extrajudicial na noite anterior. Em 12/03/2026, S&P classificou o título como SD.
O plano de recuperação extrajudicial envolveu 90 dias de standstill, adesão de 47,2% dos credores e permite capitalização de R$ 4 bilhões, conversão de dívida em equity e venda de ativos.
Lições do caso
A evolução da Raízen evidenciou a importância de monitoramento consolidado. Indicadores, spreads e cláusulas de vencimento antecipado, analisados de forma automatizada, permitem identificar deterioração antes de anúncios oficiais de rating. A prática reduz a desvantagem entre divulgação de resultados e reação do mercado.
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