- O biometano é visto como a solução mais viável para descarbonizar caminhões e ônibus e pode ser produzido a partir de várias fontes, incluindo resíduos orgânicos.
- Hoje o Brasil produz menos de 2 milhões de metros cúbicos por dia, e a Abiogás estima avanço para 8 milhões de m³/d no início da próxima década, com potencial de 120 milhões de m³/d em 2040.
- O biometano pode substituir todo o GLP e cerca de 70% do diesel importado a médio prazo, reduzindo dependência externa e custos logísticos.
- A Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993 de 2024) incentiva o uso de biometano e pode impactar positivamente a agricultura, resíduos urbanos, transporte e energia renovável, com previsão de mais de 800 mil empregos diretos se o potencial for explorado.
- Desafios estruturais incluem infraestrutura, integração aos gasodutos, expansão de postos de abastecimento, financiamento e competição com diesel subsidiado; soluções precisam ser viáveis e favorecer a industrialização local.
O biometano surge como solução para descarbonizar a frota de caminhões e ônibus no Brasil, trazendo ganho ambiental, empregos e desenvolvimento regional. Com possibilidade de produzir a partir de resíduos orgânicos, apresenta ciclo de carbono renovável e redução de emissões.
Atualmente, o Brasil produz menos de 2 milhões de m³/d de biometano. Segundo a Abiogás, o setor projeta chegar a 8 milhões de m³/d no início da próxima década, com potencial teórico de 120 milhões de m³/d em 2040.
O combustível pode substituir todo o GLP e cerca de 70% do diesel importado a médio prazo. Também há papel relevante na substituição do gás natural, diante de hoje finito. A substituição depende de infraestrutura e incentivos.
Panorama da produção e demanda
Diversas fontes para o biometano existem, como aterros, resíduos urbanos, dejetos animais e resíduos da indústria sucroenergética. O país gera 80 milhões de t de lixo/ano e 40% vão a lixões, liberando metano sem tratamento.
O metano, presente nesses resíduos, é muito potente no efeito estufa. Nos primeiros 20 anos, chega a ser 80 vezes mais nocivo que o CO₂ se não capturado ou convertido.
Benefícios ambientais e operacionais
O biometano traz menor intensidade de CO₂e segundo a EPE e, para a mobilidade pesada, é 2,5 vezes mais eficiente que a eletricidade correspondente. Veículo movido a biometano consome menos, tem custo operacional menor e manutenção previsível.
O setor aponta que o combustível pode reduzir ruídos, ampliar redes de abastecimento e facilitar a revenda de veículos movidos a biometano, com ganhos de eficiência.
Impactos socioeconômicos e políticas públicas
A Lei do Combustível do Futuro, de 2024, incentiva a mobilidade sustentável de baixo carbono e o biogás. Observa-se potencial para criação de mais de 800 mil empregos diretos se o biometano atingir seu pleno potencial.
O ecossistema envolve agricultura, gestão de resíduos urbanos e indústria de energia renovável, com efeitos positivos para a economia local e regional.
Desafios estruturais e caminhos
Barreiras incluem infraestrutura, integração à rede de gasodutos, expansão de postos de abastecimento e financiamento para plantas de purificação. A competitividade com diesel subsidiado também é um entrave.
Programas de incentivo público, junto de financiamentos e crédito para pequenos produtores, são apontados como necessários para a viabilização econômica.
Perspectivas e estudos
Estudo recente da LCA Consultores, encomendado pelo Instituto MBCBrasil, analisa iniciativas e desafios até 2040, com foco em biometano, etanol, biodiesel e eletrificação. Sugere políticas públicas e caminhos para reduzir barreiras.
Ao incentivar os bioenergéticos, o Brasil busca cumprir metas ambientais com impacto positivo na economia, fortalecendo liderança em energia limpa e mobilidade.
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