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Lucas Araripe transforma vento em bytes para Brasil liderar no digital

Em Pecém, data center com até 1,5 GW busca transformar energia renovável em demanda global por dados, com investimentos na casa dos bilhões

Claudio Belli
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  • Lucas Araripe, CEO da Casa dos Ventos, defende transformar energia em capacidade computacional, exportando energia em processamento de dados, conforme entrevista à Forbes Brasil.
  • No Pecém, Ceará, já funciona a primeira fase de um data center em parceria com Omnia e ByteDance, com cerca de 300 MW de consumo e possibilidade de chegar a 1,5 GW; investimento da fase inicial em torno de R$ 50 bilhões, com Pecém projetado para alcançar até R$ 250 bilhões no total.
  • A empresa aprovou investimentos que somam mais de 2 GW de capacidade, incluindo os complexos solares Rio Brilhante (491 MW), Seriemas (400 MW) e Paraíso (640 MW) e os parques eólicos Dom Inocêncio (828 MW) e Ibiapaba (630 MW), com entrada entre 2026 e 2027; objetivo de atingir cerca de 11 GW até 2030, com investimentos de aproximadamente R$ 11,5 bilhões nos próximos dois anos.
  • A estratégia envolve investir antes para criar demanda, desenvolvendo mercados consumidores de energia e ancorando o crescimento com grandes cargas elétricas, não apenas contratos já firmados.
  • A visão de longo prazo é transformar energia em vetor de desenvolvimento industrial e exportação, com projetos como hidrogênio verde no Pecém (aproximadamente 600 MW para até 70 mil toneladas de hidrogênio e 500 mil de amônia por ano) e usos potenciais em eletrificação industrial e mineração de criptomoedas para absorver excedentes.

A Casa dos Ventos planeja transformar a energia renovável em capacidade computacional, segundo Lucas Araripe. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, ele detalha a estratégia de reposicionamento do Brasil como exportador de energia limpa em dado, moléculas e indústria. O foco está em que a energia seja processada, não apenas gerada.

A primeira etapa desse projeto fica no Complexo do Pecém, no Ceará. Ali, a empresa iniciou um data center em parceria com Omnia e ByteDance, com a ByteDance como cliente âncora. A fase inicial consome cerca de 300 MW, dentro de um plano que pode chegar a 1,5 GW.

Para essa primeira etapa, o investimento estimado é de aproximadamente 50 bilhões de reais. A visão de Araripe é de longo prazo: o Pecém, segundo ele, pode se tornar um hub de cerca de 250 bilhões de reais em investimento, conectando energia a demanda global por dados.

Crescimento e demanda andam lado a lado na estratégia da companhia. Nos últimos meses, a Casa dos Ventos aprovou novos projetos que somam mais de 2 GW de capacidade, com investimentos próximos de 11,5 bilhões de reais para os próximos dois anos.

Entre os projetos já mapeados estão complexos solares em Mato Grosso do Sul e parques eólicos em Piauí e Ceará, com datas de entrada entre 2026 e 2027. A aposta é manter o ritmo mesmo diante de incertezas regulatórias no setor.

Nova geografia dos dados

A aposta no Pecém ganha consistência com a criação de um hub de data centers movido exclusivamente a energia renovável. O projeto prioriza uso eficiente de água e refrigeração em circuito fechado, estimando consumo máximo de 30 m³/dia, com apenas 10% destinados ao resfriamento.

A estratégia não se limita aos centros de processamento. Araripe aponta que o Brasil tem vantagem competitiva pela disponibilidade de energia renovável a custos baixos e por um regime tributário diferenciado em zonas de processamento de exportação (ZPE), o que favorece o processamento de dados para clientes internacionais.

Além dos data centers, a Casa dos Ventos investiga outros consumos eletrointensivos para sustentar o crescimento, incluindo projetos de hidrogênio verde e possível uso de mineração de criptomoedas para absorver excedentes de geração.

Energia como ativo geopolítico

A visão do grupo é ampliar a atuação para além da geração de energia, transformando-a em vetor de desenvolvimento industrial e exportação. Paralelamente, há iniciativas de eletrificação industrial, produção de combustíveis verdes e exploração de hidrogênio no Pecém, com 600 MW estimados para a produção de até 70 mil toneladas de hidrogênio e 500 mil toneladas de amônia por ano.

Essa leitura global parte da ideia de que a corrida por inteligência artificial depende de infraestrutura digital estável e de energia suficiente. Araripe afirma que o Brasil dispõe de vento, sol e água, mas alerta para vulnerabilidades regulatórias que elevam custos para renováveis.

Do semiárido ao digital

As operações físicas mantêm base em regiões do semiárido nordestino, onde a Casa dos Ventos já desenvolve parques eólicos. O impacto local inclui geração de empregos e fortalecimento de economias regionais, contrastando com o foco global em data centers para processamento de dados.

Se a estratégia der certo, o Brasil pode ganhar espaço como exportador de energia processada, conectando a abundância de recursos naturais a demanda mundial por infraestrutura digital. A liderança da empresa depende da criação de novas avenidas de consumo antes de depender apenas da demanda existente.

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