- Bancos centrais de mercados desenvolvidos mantiveram as taxas de juros neste semana, mantendo o foco na inflação caso o choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio se intensifique.
- Austrália elevou a taxa para 4,1%, pela segunda vez consecutiva, citando risco material de inflação.
- Reino Unido manteve a taxa em 3,75%, com sinais de possibilidade de alta adicional até abril ou ao longo do ano.
- Estados Unidos manteve a faixa de 3,50% a 3,75%, com tom hawkish e expectativa de cortes adiados para 2027.
- Banco Central Europeu manteve as taxas, mas mercados já precificam até dois a três aumentos de 25 pontos-base neste ano.
O cenário global permanece marcado pela guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, que elevou as preocupações com inflação e preço da energia. Quase todos os principais bancos centrais de mercados desenvolvidos mantiveram as taxas de juros nesta semana, mas avisaram sobre a possibilidade de agir caso o choque energético se consolide.
Operadores reduziram apostas em cortes este ano no Fed e passaram a precificar ajustes de política por outros bancos centrais, incluindo BCE e BoE. Em contrapartida, o BC da Austrália elevou novamente a taxa, repetindo o aperto monetário já visto no mês anterior.
O conflito trouxe volatilidade aos mercados e impactos na inflação, com as autoridades enfatizando a necessidade de monitorar o sinal de alta de preços. A seguir, veja a posição dos 10 bancos centrais de mercados desenvolvidos, da maior para a menor taxa básica.
Austrália
O Reserve Bank of Australia elevou a taxa para 4,1% na terça (17), segundo mês seguido de alta. O banco citou risco material para a inflação devido à guerra. O núcleo de inflação alcançou 3,4% em janeiro, indicando alta persistente. Mercados já projetam mais dois ou três aumentos neste ano.
Noruega
O Norges Bank reúne-se na próxima semana. A inflação persistente deixou o banco entre os mais cautelosos. Foram cortadas as taxas apenas duas vezes no ano passado, apesar da máxima de 4,5% no fim de 2023. O mercado precifica alta como próximo movimento, com um movimento já totalmente precificado até agosto.
Reino Unido
O Bank of England manteve a taxa em 3,75% na quinta (19). No entanto, o mercado vê maior probabilidade de alta de 25 pontos-base até abril e possivelmente mais dois aumentos até o fim do ano. O banco disse estar atento ao risco de que a inflação permaneça elevadamente alta.
Estados Unidos
O Federal Reserve manteve a faixa de 3,50% a 3,75%. O tom hawkish do presidente Jerome Powell adiou a expectativa de cortes para 2027. Economistas destacam que o Fed pode não considerar o choque de energia como transitório. O Fed sinalizou um cenário de vigilância diante de pressões inflacionárias.
Nova Zelândia
O Reserve Bank da Nova Zelândia começa abril com expectativas de alta após cortes agressivos recentes. A taxa fixa em 2,25% funciona como base para novas ações futuras até o fim do ano, com o mercado prevendo até três altas.
Canadá
O Bank of Canada manteve a taxa em 2,25% (quarta-feira, 18). Macklem ressaltou que há margem para aumentar custos de empréstimos se o risco de energia se transformar em inflação persistente. Os mercados aguardam pelo menos uma alta de 25 pontos-base até o fim do ano.
Zona do Euro
O BCE manteve as taxas inalteradas na quinta-feira (19). Fontes próximas ao banco indicam possibilidade de começar a discutir aumentos em abril, com expectativas de mais de dois aumentos de 25 pontos-base na taxa de depósito neste ano, diante da inflação e de choques energéticos.
Suécia
O Sveriges Riksbank manteve a taxa básica em 1,75% na quinta (19) e sinalizou alta incerteza. Mercados já precificam aumentos este ano, alinhando-se ao posicionamento de cautela do banco.
Japão
O Bank of Japan manteve a taxa de juros em 0,75% na quinta (19), no teto de 30 anos. O presidente Ueda frisou que a diretoria está mais atenta aos riscos de alta de inflação do que aos de baixo crescimento, mantendo a possibilidade de ajuste de curto prazo.
Suíça
O Swiss National Bank manteve a taxa básica em 0% na quinta (19). A instituição sinalizou prontidão para intervir para conter a valorização do franco. A inflação suíça ficou em torno de 0,1% em março, diante da valorização cambial.
Notas finais
- A conjuntura segue sujeita a desdobramentos do conflito e a impactos no preço de energia.
- As decisões refletem o objetivo de conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico.
- As expectativas de política monetária permanecem voláteis entre as autoridades globais.
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