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Valor de mercado da Petrobras sobe 18,9% desde o início da guerra

Petrobras registra alta de 18,9% no valor de mercado desde o início da guerra, atingindo pico de R$ 640 bilhões nesta semana

Logo da Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil
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  • O valor de mercado da Petrobras subiu 18,9% desde o início da guerra, para US$ 127,5 bilhões.
  • Em março, a estatal bateu seis recordes de market cap, atingindo pico de R$ 640 bilhões na quarta-feira, 19.
  • O movimento é puxado pela alta do petróleo Brent, que subiu 49,2% desde a virada do mês, beneficiando a exposição ao preço do petróleo.
  • Apesar da valorização, a Petrobras ainda perde valuation para pares globais por fatores domésticos, como risco de intervenção governamental, política de preços e custo de capital; medidas como tributação sobre exportações ajudam a sustentar a percepção.
  • O governo e a Petrobras atuam para conter a alta de derivados: reajuste de 11,6% no diesel após 312 dias de preço congelado e proposta de zerar ICMS sobre importação de diesel por dois meses para permitir novos aumentos.

A Petrobras registrou valorização expressiva de valor de mercado desde o início da escalada militar no Oriente Médio. O salto acompanha a alta do petróleo Brent, que subiu quase 50% no período, ajudando a elevar a cap de US$ 127,5 bilhões, segundo levantamento do Broadcast.

Na prática, a estatal passou a registrar ganhos de 18,9% no mercado em dólares entre o início do conflito e a virada do mês. Em reais, foram atingidos recordes sucessivos, com pico de R$ 640 bilhões na quarta-feira, 19, e ganho mensal de R$ 108 bilhões.

Analistas destacam que o movimento reflete exposição direta ao preço do petróleo, aliada à estrutura de refino integrada da empresa. Ainda assim, a Petrobras continua com um valuation abaixo de pares internacionais, influenciando a percepção de risco no Brasil.

Mercado e fatores

Para Fábio Lemos, da Fatorial Investimentos, fatores domésticos pesam sobre a relação da empresa com o preço mundial, como intervenções governamentais e políticas de combustível. Ele aponta defasagem de preços e custo de capital como pontos de atenção.

Hugo Queiroz, da L4 Capital, lembra que parte da alta recente também corrige defasagem anterior frente às grandes petroleiras. Segundo ele, o cenário de emergente eleva custos regulatórios e de financiamento, ainda que o principal motor seja político.

A precificação do papel depende da margem entre preço doméstico e paridade de importação, ressalta Queiroz. A valorização é maior em ciclos de alta do Brent, mas pode recuar se houver recuo de preços locais.

Medidas governamentais

O governo tem adotado medidas para conter o custo dos derivados. Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 11,6% no diesel, após 312 dias sem mudança. A gasolina permanece sem alteração, por ora.

Ainda nesta semana, o governo propôs aos estados zerarem o ICMS sobre a importação de diesel por dois meses. A medida pode abrir espaço para novos aumentos pela Petrobras, caso seja confirmada.

Para investidores, a questão dos dividendos segue sendo um atrativo, com retornos acima da média global, mas em níveis mais próximos aos de petroleiras maduras. A próxima etapa dependerá de políticas de distribuição da companhia.

A avaliação de analistas aponta que apenas uma distribuição extraordinária de dividendos, como ocorreu entre 2020 e 2022, poderia reacender forte impulso às ações da Petrobras.

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