- Lula disse, em evento com a Petrobras, que o governo pode desafiар os preços de mercado para evitar impacto inflacionário do conflito no Oriente Médio, em ano eleitoral.
- O Brasil não produz gasolina e diesel suficientes para abastecer 100% do mercado interno, ficando exposto ao mercado internacional de petróleo.
- A defasagem de preço na Petrobras é elevada: diesel 86% abaixo da paridade internacional e gasolina 64% abaixo, o que pode gerar ações de investidores se o estatuto da empresa for visto como violado.
- Para segurar o diesel, o governo criou subsídio de R$ 0,32 por litro e zerou impostos federais; o custo previsto até o fim do ano é de cerca de R$ 30 bilhões, financiado por imposto sobre exportação de petróleo.
- O setor vê riscos de reajuste para realinhar preços e queda na importação de diesel, que já caiu cerca de 60%; a executiva da Petrobras, Magda Chambriard, afirma que não há congelamento de preços.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem enfrentado o desafio de manter estáveis os preços de combustíveis, mesmo com o conflito no Oriente Médio reverberando nos mercados internacionais. Em evento com a Petrobras na sexta-feira, Lula sinalizou disposição de atuar para conter a alta de preços, ainda que isso envolva riscos para o abastecimento.
A Petrobras tem respondido com políticas de contenção que já duram desde 2018, mas o impacto dessas medidas tem gerado debates sobre a governança da empresa. Dados internos mostram que o diesel está 86% abaixo da paridade internacional e a gasolina 64% abaixo, estimativas da Abicom.
Contexto e ações do governo
Para segurar o diesel, o governo autorizou um subsídio de 0,32 real por litro e zerou impostos federais sobre o produto. O custo dessas medidas é estimado em 30 bilhões de reais até o final do ano, financiado por uma taxação sobre exportação de petróleo.
A Petrobras, maior exportadora do país, não contestou a taxação sobre o petróleo. Mesmo assim, a estatal elevou o preço do diesel em suas refinarias em 0,38 real um dia após o anúncio do subsídio.
Governança e perspectivas
Mudanças no estatuto da Petrobras Buscam blindar a empresa de interferências governamentais, mas analistas avaliam que a defasagem de preço pode exigir reajustes para manter margens de refino. Em relatório recente, o Bradesco BBI apontou que a defasagem pode gerar perdas significativas caso persista.
A gestão afirma que cobrará compensações da União quando houver políticas que avancem responsabilidades diferentes das de uma empresa privada. Internamente, comitês de investimento e de acionistas minoritários fiscalizam eventuais desvios.
Impactos no abastecimento e no cenário político
O Brasil ainda depende de importações para cerca de 25% do diesel e 10% da gasolina. A queda recente na importação de diesel, aliada à incerteza sobre os preços, dificulta que a Petrobras sozinho contenha o custo.
O governo tem atuado com operações de fiscalização e comunicações públicas para combater supostos preços abusivos. Em evento, Lula afirmou que medidas de controle podem envolver ações para prender responsáveis por preços excessivos, segundo relatos de fontes do setor.
Agenda e declarações
A CEO Magda Chambriard negou congelamento de preços, dizendo que a Petrobras reage conforme o mercado. Ela enfatizou que o grupo não teme pressão externa, mantendo uma posição firme sobre ajustes quando necessário.
O relacionamento entre Lula e Magda Chambriard tem sido observado de perto pelo mercado, com expectativa de que decisões coordinadas entre governo e estatal possam evitar erros do passado sem comprometer o abastecimento.
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