- A Operação Fisco Paralelo, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo na manhã desta quinta-feira, mira esquema de fraudes tributárias; Luciene Petroni Castro Neves, head of tax do Carrefour, é alvo com mandado de busca.
- Investigação aponta contato intenso entre Luciene e o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como articulador central da organização criminosa, com mensagens sobre ressarcimento de ICMS-ST.
- Trechos das mensagens indicam que o auditor ajudava a executiva em pedidos de crédito tributário, e as reuniões foram classificadas como atitude “absolutamente descabida” para um servidor público.
- Também há indicação de tratamento privilegiado ao Carrefour, com deferimento de créditos que, segundo o MP, estariam em desacordo com a lei; há ainda indícios de pagamento de propina.
- Além do Carrefour, são citadas as empresas Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Posto Ipiranga; a Secretaria da Fazenda informou 33 procedimentos administrativos em andamento para apurar condutas de servidores.
Luciene Petroni Castro Neves, head de tax da rede Carrefour, é um dos alvos da Operação Fisco Paralelo deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo nesta quinta-feira. A investigação apura corrupção e fraudes tributárias no estado de São Paulo, com foco na gestão fiscal da empresa.
Segundo o MP, houve contato intenso entre Luciene e Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal de rendas apontado como articulador central da organização criminosa. Luciene teve mandado de busca e apreensão cumprido nesta ação.
Mensagens apreendidas mostram que o auditor prestava apoio a pedidos de ressarcimento de ICMS-ST relacionado ao Carrefour. Houve reunião entre as partes para tratar de interesses da empresa, conforme apontam investigadores como aceitável para um servidor público.
A apuração indica que o Carrefour recebia tratamento privilegiado, com deferimento de créditos tributários em desacordo com a lei. Em outra troca, um gerente tributário da empresa, sob coordenação de Luciene, solicitou reunião para discutir as expectativas do agente público, o que indica possível pagamento de propina, segundo o MP.
Um head of tax é o responsável pelo planejamento tributário, compliance e estratégia da organização, conforme as investigações. A operação cumpre 22 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, desdobramento da Operação Ícaro, que teve como alvo o dono da Ultrafarma.
Além do Carrefour, outras empresas são citadas no inquérito, entre elas Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Posto Ipiranga. O MP informa que o esquema envolvia a manipulação de procedimentos fiscais para obter créditos de ICMS mediante vantagens ilícitas sobre o montante recuperado.
A CNN Brasil solicitou posicionamento das empresas citadas e está buscando a defesa dos investigados. O espaço permanece aberto para manifestações oficiais.
Desdobramento da Operação Ícaro
A Fisco Paralelo envolve 22 mandados de busca e apreensão e acompanha o desdobramento da Operação Ícaro, que teve como alvo o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma. O Ministério Público aponta que o esquema visava acelerar créditos de ICMS por meio de pagamentos de vantagens indevidas.
Reação de empresas e órgãos públicos
O Grupo Casas Bahia informou que não foi notificado sobre a investigação, negando qualquer relação com irregularidades e destacando cooperação com as autoridades e padrões de governança e compliance. A Secretaria da Fazenda e Planejamento de SP informou colaborar com as investigações e que 33 procedimentos administrativos estão em curso para apurar condutas de servidores, com possível demissão.
A pasta ressalta que a Corregedoria da Fiscalização Tributária atua em conjunto com o Ministério Público para apurar irregularidades, mantendo o compromisso com ética e justiça fiscal. Também afirma integração com o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP) no combate a crimes tributários.
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