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Conter dívida é crucial para impulsionar o crescimento do Brasil, afirma IMDS

Especialistas apontam urgência de ajuste fiscal e reformas para romper ciclo que sustenta inflação, juros altos e desigualdades, freando a produtividade

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  • Grupo do IMDS lança o estudo Caminhos do Desenvolvimento: Brasil está preso em ciclo fiscal que gera inflação, eleva juros e amplia desigualdades, com produtividade estagnada.
  • Entre 1981 e 2024, o PIB per capita subiu em média 1% ao ano e a produtividade apenas 0,5% ao ano; em ritmo atual, levaria 140 anos para dobrar a produtividade.
  • Para reverter isso, o trabalho propõe reformas estruturais, como maior abertura comercial, redução de barreiras (tarifárias e não tarifárias) e melhoria do ambiente de negócios; o país usa restrições não tarifárias em 86,4% das importações.
  • Gasto social cresce, mas a eficácia é questionada: entre 2014 e 2023, transferências reais aumentaram 142%, enquanto o contingente da camada mais pobre caiu 11%; Bolsa Família e BPC são citados com problemas de focalização e judicialização.
  • Urgência fiscal apontada: ajuste de quatro pontos percentuais do PIB, com críticas aos mecanismos atuais (teto de gastos e arcabouço fiscal); enfatiza-se a necessidade de reformas da Previdência e revisão da valorização do salário mínimo.

O grupo de especialistas, formado principalmente por economistas com experiência no mercado e no setor público, emite um alerta sobre a trajetória econômica do Brasil. O estudo Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir aponta um ciclo vicioso que freia o crescimento e amplia desigualdades.

Coordenado por Fernando Veloso, do IMDS, Marcos Mendes, do Insper, e Vinícius Botelho, ex-secretário do Ministério do Desenvolvimento Social, o trabalho identifica três problemas centrais interligados: desequilíbrio fiscal crônico, baixa eficácia das políticas sociais e estagnação da produtividade.

Ciclo vicioso e produtividade estagnada

Entre 1981 e 2024, o PIB per capita cresceu em média 1% ao ano, enquanto a produtividade avançou apenas 0,5% ao ano, segundo o estudo. O alerta é de que, nesse ritmo, levaria 140 anos para dobrar a produtividade. As falhas estruturais são descritas como sistêmicas.

Para reverter esse quadro, os pesquisadores defendem reformas estruturais, incluindo maior abertura comercial, redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias, e melhoria do ambiente de negócios. O Brasil figura entre os maiores usuários de barreiras não tarifárias, com 86,4% das importações sujeitas a restrições.

Gasto social e eficiência

O estudo aponta que gastos com transferência de renda cresceram 142% em termos reais entre 2014 e 2023, enquanto a pobreza entre a população mais pobre recuou apenas 11%. Afirmam que há problemas de focalização e eficiência nos programas de assistência social.

Ferreiro Veloso cita o Bolsa Família, historicamente bem focalizado, que sofreu mudanças como a criação de um piso mínimo por família de 600 reais, o que pode ter impactado a distribuição no Cadastro Único. O BPC também registrou aumento expressivo, apontam os pesquisadores, com o crescimento acompanhado de judicialização.

Urgência fiscal e reformas

O estudo quantifica a necessidade de ajuste fiscal em quatro pontos percentuais do PIB, valor próximo a mais da metade do gasto com a Previdência. As tentativas recentes de contenção, como o teto de gastos e o arcabouço fiscal, não teriam funcionado adequadamente, segundo os autores, por exceções criadas.

Veloso afirma que reformas da Previdência são prioritárias e cita a necessidade de revisar a política de valorização do salário mínimo, que impacta gastos previdenciários e assistenciais. Sem reformas estruturais, o Brasil pode enfrentar crise fiscal semelhante à de 2014 a 2016.

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