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Tarifas e crise energética ameaçam indústria de papel na Espanha

Aranceles e alta de energia pressionam a indústria de papel na Espanha, elevando custos e ampliando vantagem competitiva de concorrentes asiáticos

Biofábrica de Ence en Navia (Asturias).
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  • A indústria de papel, cartão e celulose na Espanha está pressionada pelo encarecimento da eletricidade e do gás, durante novo ciclo de tensão energética após a escalada de conflitos no Oriente Médio.
  • O diretor da Aspapel aponta que a “tormenta perfeita” vem também do colapso logístico por bloqueios no Estreito de Ormuz e da queda de demanda em 2025.
  • Competidores asiáticos, fechando o mercado americano, passaram a injetar produtos a baixo custo na Europa, por terem energia mais barata e menos exigências de descarbonização.
  • Espanha exporta metade do que produz e os principais clientes ficam na zona euro; na celulose, as exportações chegam a quase sessenta por cento.
  • Entre as medidas do governo, Aspapel critica metas obrigatórias de biometano em setores que não o transporte, e alerta que o gás continua essencial para alcançar altas temperaturas na produção de papel, além de citar o efeito Amazon elevando a demanda por embalagens.

A indústria de papel, cartão e celulose da Espanha enfrenta nova pressão por custos de energia elevados, agravados pela elevação de gás e eletricidade. A associação setorial Aspapel afirma que a combinação de fatores eleva o preço de produção e atrapalha a competitividade.

Segundo Manuel Domínguez, diretor geral da Aspapel, a atual conjuntura resulta de aranceles aplicados pelos EUA a seus parceiros comerciais, além da subida de custos energéticos. Produtores europeus enfrentam entrada de concorrentes asiáticos com energia mais barata.

Domínguez aponta ainda perda de competitividade frente a países da zona euro. A Espanha exporta cerca de metade do que fabrica, com clientes fortes na Europa. A celulose berça exportação de quase 60% da produção para vários países.

Efeito Amazon

O pacote de medidas do governo para aliviar custos traz preocupações sobre metas obrigatórias de biometano em setores além do transporte. A Aspapel sustenta que o biometano é mais caro que o gás e pode reduzir a competitividade.

Para o gás, o dirigente ressalta a necessidade de temperaturas altas para a produção de papel higiênico e similares. A depender do setor, o custo de energia continua sendo o principal limitador.

Impacto na demanda e produção

Cerca de 68% da produção de papel e embalagens atende ao setor de grande consumo, automotivo, químico e construção. O aumento de custos energéticos pode pressionar margens e demanda. O cenário atual é marcado pela demanda global sob pressão e pela necessidade de manter produção com custos elevados.

No contexto, o que se observa é que a indústria depende de energia estável e acessível para manter a cadeia de suprimentos. A situação atual exige respostas regulatórias que equilibrem competitividade e metas de descarbonização.

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